Montadoras dos EUA com medo do “cerco chinês”: Canadá reduz tarifas, México vira alvo e Trump diz que adoraria fábricas chinesas no país

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Enquanto a fronteira norte da América do Norte se abre para dezenas de milhares de EVs chineses, executivos em Detroit falam em cerco iminente ao mercado dos Estados Unidos.

Analistas alertam que, uma vez estabelecido o fluxo de veículos da China para o Canadá e possivelmente para o México, ficará muito mais difícil para Washington conter essa pressão competitiva.

Em paralelo, Donald Trump alimenta a incerteza ao dizer que adoraria ver montadoras chinesas construindo fábricas em solo americano e contratando trabalhadores locais.

As declarações em encontros com líderes empresariais em Detroit deixaram a indústria automotiva dos EUA tensa, justamente num momento em que a China domina diversos mercados globais de carros.

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Consultorias especializadas relatam uma disparada de contatos de fabricantes norte-americanos em busca de orientação sobre um dilema central, enfrentar frontalmente os chineses ou tentar transformá-los em parceiros estratégicos.

Tu Le, da Sino Auto Insights, afirma que muitos executivos não sabem se o caminho é erguer barreiras, fazer joint ventures fora dos EUA ou preparar um desembarque controlado dessas marcas.

Mark Wakefield, da AlixPartners, descreve dirigentes das montadoras americanas como “paranoicos e preocupados”, ao mesmo tempo fascinados com a velocidade de desenvolvimento alcançada pelas empresas chinesas.

Segundo ele, muita gente em Detroit estuda como copiar processos de engenharia e produto da China, enquanto avalia se vale mais bloquear ou facilitar a entrada dessas marcas no país.

Do lado chinês, há ceticismo sobre apostar pesado em fábricas nos EUA, já que um executivo de uma grande empresa de EVs lembrou que Trump é pragmático e pode mudar de humor rapidamente.

Hoje, carros chineses estão praticamente barrados do mercado americano, depois que o governo Joe Biden impôs tarifa de 100% sobre EVs importados da China em 2024, mantida posteriormente pela administração Trump.

Navtej Dhillon, que ajudou a desenhar esse pacote na equipe econômica de Biden, diz que a lógica dessas tarifas continua válida e é apoiada por montadoras e fornecedores dos EUA.

Ainda assim, líderes da indústria em Detroit temem que, sem acesso à tecnologia e ao know-how de produção chineses, eles percam relevância global e, mais cedo ou mais tarde, dentro do próprio mercado americano.

Por isso, a estratégia temporária parece ser colaborar longe dos EUA, como mostra a Stellantis, que comprou 20% da chinesa Leapmotor para acelerar vendas na Europa usando fábricas e rede do grupo.

A Ford, por sua vez, discute com a Geely uma possível parceria envolvendo compartilhamento de plataformas e capacidade produtiva na Europa, vista internamente como passo intermediário antes de qualquer movimento nos EUA.

A montadora de Michigan também conversou com Xiaomi e BYD sobre acordos futuros, e especialistas dizem que ignorar essas conversas seria negligenciar o dever de proteger o interesse dos acionistas.

Ao mesmo tempo, há um enorme vazio no segmento de carros mais baratos nos EUA, criado pelo foco das marcas tradicionais em modelos maiores e de maior margem, brecha perfeita para produtos chineses acessíveis.

No curto prazo, analistas veem o Canadá como prioridade para as marcas chinesas, já que Ottawa aceitou importar 49.000 EVs com tarifa de apenas 6,1%, movimento visto como abertura de comportas para um fluxo difícil de reverter.

Geely, dona de Volvo e Polestar, já fala em entrar nos EUA como questão de “quando e onde”, cogitando inclusive compartilhar a fábrica sueca na Carolina do Sul, enquanto executivos da Volvo defendem competição tecnológica, mas com cuidado em temas sensíveis como software.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio.


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