
A indústria automotiva europeia resolveu jogar limpo com a União Europeia: simplesmente não vai conseguir cumprir as metas ambientais como foram estabelecidas.
Em uma carta aberta assinada por ninguém menos que o CEO da Mercedes-Benz, Ola Källenius, atual presidente da ACEA (Associação Europeia dos Fabricantes de Automóveis), fabricantes e fornecedores pressionam Bruxelas a repensar a proibição dos carros a combustão prevista para 2035.
A alegação central é de que o cenário mudou e que as metas atuais, como a redução de 55% nas emissões até 2030 e a eliminação total dos motores térmicos até 2035, “já não são factíveis” e precisam ser “recalibradas”.
A carta não rejeita totalmente os esforços ambientais, mas admite que a transição não está acontecendo no ritmo esperado.
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O ponto crítico, segundo os signatários, está na desaceleração da adoção dos carros elétricos.
Mesmo com todo o empurrão regulatório, apenas 15% dos veículos vendidos na Europa são elétricos — uma fatia que está longe do necessário para justificar os investimentos bilionários que vêm sendo feitos pelas marcas.
Na prática, as montadoras querem mais tempo e menos rigidez. A carta propõe que o foco seja em reduzir emissões de forma ampla, e não apenas por meio dos EVs
. Isso abriria espaço para híbridos e tecnologias alternativas, além de evitar a imposição de uma única solução para todos os mercados.
Outro ponto importante é o pedido de ajuda: a indústria quer que a União Europeia faça a sua parte para impulsionar o mercado de elétricos, investindo fortemente em infraestrutura de recarga, além de oferecer mais incentivos para os consumidores.
Sem isso, afirmam os fabricantes, será impossível convencer as pessoas a migrar de vez para os elétricos.
Além disso, a carta cobra mais flexibilidade regulatória para a criação de cadeias de suprimento e produção de baterias no continente, algo considerado essencial para garantir competitividade diante da força da China nesse setor.
As preocupações não são isoladas. Marcas como a Porsche já recuaram em planos ambiciosos para eletrificação total e cancelaram projetos como fábricas de baterias, justamente pela dificuldade em manter a rentabilidade diante das vendas mornas de EVs.
Ainda assim, o lado da União Europeia também é claro: o planeta exige ação rápida contra as mudanças climáticas. E, segundo os reguladores, adiar ou flexibilizar demais as metas pode comprometer décadas de progresso ambiental.
Com uma reunião marcada para setembro, espera-se que o embate entre indústria e políticos produza um novo arranjo — talvez um meio-termo que alivie a pressão sobre os fabricantes, mas sem desacelerar tanto o combate às emissões.
Por enquanto, fica a sensação de que a transição elétrica na Europa está longe de ser o sucesso inevitável que muitos previam.
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