
Quando o combustível sobe de repente e a tarifa fica congelada, o motorista de app aprende rápido que romantismo não paga conta, e a saída vira escolher corrida.
Nos EUA, a disparada da gasolina causada pela situação no Oriente Médio está empurrando motoristas de Uber e Lyft para a mesma triagem que o Brasil pratica há tempos.
Relatos mostram motoristas priorizando apenas viagens mais lucrativas dentro dos aplicativos, enquanto dezenas chamam o aumento de “insano” no Reddit.
O estopim veio com o petróleo passando de US$ 100 por barril [R$ 517] na segunda-feira, antes de recuar para perto de US$ 90 (aproximadamente R$ 465) após fala do presidente Donald Trump.
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No posto, a pancada já apareceu: o preço médio do galão de gasolina nos EUA subiu cerca de US$ 0,40 na última semana (equivalente a R$ 2), segundo dados da AAA. Isso dá um aumento de uns R$ 0,50 por litro.
Em Houston, Justin Fisher, motorista de Uber, contou ao Business Insider que mudou o critério de aceitação e agora mira só as corridas que deixam mais dinheiro líquido.
O detalhe é que, para manter o ganho, ele diz aceitar até viagens para áreas que considera inseguras, um tipo de dilema que motoristas brasileiros conhecem bem.
Na Califórnia do Sul, Sergio Avedian, ex-trader de Wall Street que hoje dirige por Uber e Lyft, afirmou que em dois postos do subúrbio de Los Angeles o galão subiu US$ 1 (R$ 5) em uma semana.
Avedian diz que a adaptação tende a cortar corridas curtas em áreas urbanas, onde o “anda e para” consome mais, e priorizar trechos longos e de rodovia.
O problema central, segundo ele, é que Uber e Lyft controlam os preços das viagens, então o motorista não consegue repassar custos quando a operação encarece de forma brutal.
Ele resume a relação de força: “Nós não damos as cartas”, e reforça que as tarifas não sobem e as plataformas não aumentam o pagamento para cobrir essa diferença.
Uber e Lyft não responderam se avaliam criar uma taxa extra, como fizeram em 2022, quando o petróleo disparou após a invasão russa da Ucrânia.
Naquele período, as empresas aplicaram um adicional temporário de US$ 0,45 a US$ 0,55 por corrida [R$ 2 a R$ 3], medida que alguns motoristas veem como alívio parcial.
Jaret, motorista de Uber e Lyft na Carolina do Norte, disse ao Business Insider que teve um dos melhores fins de semana no Lyft, e credita isso ao fato de dirigir um Tesla.
Com um EV, ele afirma que não precisa nem olhar o preço da gasolina, porque carrega em casa e praticamente não pisa em posto há muito tempo.
Jaret estima que, no Tesla Model Y, US$ 1 de cada US$ 14 que ganha vai para “abastecer” (US$ 14 equivalem a R$ 72), contra US$ 1 a cada US$ 3 em um carro a gasolina (US$ 3 cerca de R$ 16).
Ainda assim, tanto Avedian quanto Jaret defendem que a sobretaxa ajudaria, mas não resolveria a raiz do problema com custos subindo e repasses menores nas corridas.
O conselho que virou mantra tem sabor familiar para quem roda no Brasil: se a viagem não dá lucro, recuse, porque isso não é serviço público e escolher corrida vira sobrevivência.
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