
Num estado conhecido por ter regras de trânsito tão curiosas quanto suas manchetes, a Flórida conseguiu produzir mais um caso que beira o absurdo jurídico.
Uma motorista de Lake Worth Beach recebeu uma multa por supostamente dirigir segurando o celular na mão direita, descrição que já começa a ruir com um detalhe crucial de sua anatomia.
Ela simplesmente não tem mão direita, já que o braço termina antes do cotovelo, o que torna a infração, do jeito em que foi escrita, fisicamente impossível de ter ocorrido.
O flagrante foi feito por um delegado do Departamento do Xerife do Condado de Palm Beach, que lavrou uma autuação de US$ 116 com base na lei estadual de uso de dispositivos móveis ao volante.
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Em vídeo publicado depois no TikTok, a condutora aparece tranquila, pedindo que o agente repita diante da câmera o que diz ter visto durante a abordagem.
Quando ele confirma que a teria enxergado com o celular na mão direita, ela ergue o braço e mostra que não existe qualquer mão ali, deixando o policial visivelmente desconcertado.
Na legenda, ela ironiza a situação dizendo que, aparentemente, ainda é possível ser multada por dirigir com um aparelho na mão direita mesmo sem possuir uma.
O vídeo viralizou, acumulou milhões de visualizações e acabou apagado pela autora, mas o estrago à credibilidade da abordagem já estava feito e a história caiu na imprensa local.
Reportagem da CBS 12 News revelou outro ponto importante: a citação fala apenas em segurar um dispositivo, sem mencionar que a motorista estaria digitando ou escrevendo mensagens.
Esse detalhe pesa porque a legislação da Flórida sobre direção distraída não é um simples “telefone na mão vira multa”, mas exige uma conduta mais específica.
Pela redação atual, o motorista precisa estar inserindo manualmente letras, números ou símbolos em um dispositivo, para fins de comunicação não verbal, como textos e e-mails.
Na prática, o policial deveria observar um comportamento que indicasse claramente que o condutor estava teclando, e não apenas com o aparelho na mão ou apoiado em algum lugar.
Mesmo em um cenário hipotético em que a motorista tivesse de fato uma mão direita e estivesse apenas segurando o celular, o caso já nasceria frágil diante de um juiz.
O episódio se soma a outras polêmicas envolvendo leis peculiares do estado, como discussões sem fim sobre molduras de placa, “super velocidade” e outras regras mal compreendidas.
Advogados e especialistas vêm apontando que o excesso de subjetividade e a falta de treinamento uniforme para os agentes acabam produzindo autuações erradas e disputas desnecessárias nos tribunais.
Enquanto a mulher promete contestar a multa, o caso serve de alerta para que policiais revisem com mais cuidado o que a lei realmente determina antes de transformar impressões em infrações.
No fim das contas, o objetivo da norma é coibir a perigosa combinação de dirigir e digitar, mas episódios como esse só reforçam a sensação de que, na Flórida, nem sempre a aplicação acompanha a intenção.
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