
Se alguém dissesse que um caminhão seminovo de 18 anos vale mais de R$ 1,5 milhão, você acreditaria?
Pois foi exatamente isso que aconteceu em um leilão nos Estados Unidos, onde um Peterbilt 379 fabricado em 2007, com apenas 33.500 quilômetros rodados, foi arrematado por US$ 280.000 — cerca de R$ 1.540.000 na cotação atual.
O valor surpreendeu até os especialistas mais experientes e chamou atenção principalmente por um detalhe: trata-se de um caminhão pré-DEF, ou seja, fabricado antes da obrigatoriedade do uso de fluido de escapamento diesel (Diesel Exhaust Fluid), também conhecido como Arla 32, nos veículos pesados.
Esse sistema, obrigatório desde o final da década de 2000 para atender normas de emissões, é visto com desconfiança por muitos motoristas e proprietários de frota, especialmente por conta dos altos custos de manutenção e falhas recorrentes em campo.
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No Brasil, o uso de Arla 32 é obrigatório em caminhões fabricados a partir de 2012.
O leilão foi realizado pela Ulmer Auction Services em dezembro e causou alvoroço na comunidade agrícola norte-americana.
Greg Peterson, conhecido como “Machinery Pete”, ficou espantado com o lance final e publicou imediatamente nas redes sociais, destacando que o preço bateu o recorde anterior para o mesmo modelo, registrado em 2022, de US$ 262 mil.
Para ele, o mercado está mandando um recado claro: o que os compradores querem hoje é equipamento usado, confiável e, de preferência, livre das exigências ambientais mais recentes.

Segundo Peterson, agricultores e operadores de frota já vinham pagando caro por máquinas pré-DEF, mas agora a demanda atingiu um novo patamar — sem que isso represente uma retomada nas vendas de equipamentos novos.
Em outras palavras, o apetite por maquinário zero quilômetro continua morno, mesmo com os usados batendo recordes.
“Pode ser reflexo dos aumentos de 15% a 25% nos preços dos equipamentos novos entre 2021 e 2023, que nunca recuaram”, escreveu Peterson em um artigo para o site Ag Web.
Com o aperto financeiro no campo, produtores estariam preferindo investir pesado em máquinas usadas com histórico confiável, em vez de arriscar em modelos mais modernos, caros e cheios de tecnologia que nem sempre funciona como prometido.

O caso do Peterbilt não é isolado.
Um trator John Deere 8210 do ano 2000, com 3.692 horas de uso, foi vendido em dezembro por US$ 133.250 (R$ 733 mil).
Em outro exemplo, uma colheitadeira Case IH AF11 de 2025, com apenas 217 horas, foi vendida no Canadá por US$ 841.139 (R$ 4,62 milhões) — valor recorde para um modelo usado com sistema de emissões já presente.

Esses números indicam um movimento claro: o mercado está disposto a pagar caro por máquinas que entregam o básico com confiabilidade — mesmo que sejam mais antigas.
A situação lembra o que aconteceu com os carros usados durante e após a pandemia de COVID-19, quando os preços dispararam devido à escassez e à cautela dos consumidores.
Para Peterson, o recado está dado: “Você acha que os preços de usados estão altos agora? Espere só um pouco.”

A valorização de equipamentos bem conservados e anteriores às exigências ambientais mais recentes pode representar o início de uma nova crise de oferta — desta vez, no mercado de veículos pesados e agrícolas.
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