
Coluna Fernando Calmon nº 1.396 — 8/4/2026
Notícias não poderiam ser tão encorajadoras. Março foi um mês com mais dias úteis este ano e, portanto, favorável para as referências tradicionais de vendas, produção e exportações.
Basta constatar: emplacaram-se 269,5 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, as melhores vendas desde março de 2013, ano marcado pelo segundo melhor resultado da história da indústria automobilística nacional.
Até os importadores têm o que comemorar: crescimento de 40% de fevereiro para março. Entretanto no primeiro trimestre, o avanço foi modesto: 5,6%. As exportações tiveram um bom e um mau resultado: março sobre fevereiro cresceram 21%; mas no primeiro trimestre caíram 18,5% em relação a 2025.
Veja também
Igor Calvet, presidente da Anfavea, mantém cautela em razão dos conflitos no Oriente Médio e adiou uma revisão dos números do ano de 2026 até os cenários externos e internos se consolidarem.
Arcélio dos Santos Junior, presidente da Fenabrave, informou que o crescimento deste ano de veículos (sem computar motocicletas e tratores) giram em torno dos 3%. Percentual previsto semelhante ao da Anfavea.
O programa Carro Sustentável continua sendo, perdão do trocadilho, o sustentáculo das vendas até agora. Com o IPI zerado para apenas sete modelos compactos, a comercialização disparou 30% desde julho do ano passado.
Há exigências de eficiência energética, sustentabilidade e adensamento industrial, mas os incentivos se enceram em 31 de dezembro próximo.
As expectativas para os próximos anos estão focadas na reforma tributária que entrará em vigor, por etapas, a partir de janeiro de 2027.
Automóveis continuarão a ser altamente taxados pelo imposto seletivo, apelidado de imposto do pecado por incidir sobre bebidas alcóolicas e outros produtos nocivos à saúde, que se soma ao IVA (Imposto sobre Valor Agregado), no lugar do IPI e do ICMS.
Não tem mais jeito. Automóveis no Brasil mantêm-se condenados à supertaxação, inédita no mundo civilizado, por se constituírem em bens de alto valor agregado e muito fácil de serem alcançados pelos fiscos federal, estadual e municipal.
Em nenhum momento os governos, em todos os níveis, querem arriscar a perder, em linguagem descontraída, a arrecadação proporcionada por uma autêntica “galinha dos ovos de ouro”.
Esta metáfora, segundo I.A., vem de Esopo, lendário fabulista da Grécia Antiga.
Renegade 2027 atualiza linhas e interior

Lançado em 2015, o SUV compacto da Jeep precisava mesmo de atualizações visuais. Foram discretas, na realidade, para manter a aura de um fora-de-estrada.
Versão de topo Willis é a única no segmento com apelo raiz e tração 4×4. A grade do radiador teve as tradicionais sete fendas fechadas, o que diminuiu seu apelo visual.
Em compensação o para-choque dianteiro ficou menos vulnerável às duras condições de fora de estrada, embora um pouco embrutecido. Atrás, novo para-choque e retoques nas lanternas.
Rodas de liga leve usinadas de 17 e 18 pol. marcam o ano-modelo.
Dimensões, praticamente, as mesmas (mm): comprimento, 4.270; entre-eixos, 2.566; largura, 1.805 (2.018 contando os espelhos); altura, 1.706.

Volumes (L): porta-malas, 320 (um ponto fraco); tanque, 55. Motor 4 cilindros, 1,3 L turbo flex: 176 cv (E/G); 27,5 kgf·m (E/G). Consumo (km/L, Inmetro): cidade, 11,9 (G); 8,3 (E); estrada, 11,8 (G); 8,6 (E).
Alcance (km): cidade, 665 (G) e 457 (E); estrada, 649 (G) e 473 (E). Tração dianteira e 4×4. Câmbio automático epicíclico, seis marchas (nove marchas, no Willis).
Interior recebeu nova tela multimídia de 10,1 pol. com as conexões de praxe e o mesmo console do Compass que inclui agora saída de ar climatizado para o banco traseiro.
Materiais de acabamento mais caros de antes mudaram, embora a nova combinação de texturas e cores agrade.
Foi retirada a alça de apoio no painel para o acompanhante do motorista, mas este conta com ajustes elétricos no banco (versões Sahara e Willys).
Maior novidade mecânica é o sistema semi-híbrido, desta vez de 48 V, 15,5 cv e 6,6 kgf·m. A marca, acertadamente, a identifica agora com uma plaqueta MHEV e não mais Hybrid (12 V) como em outros modelos da Stellantis.
Diferença no desempenho difícil de perceber, mas no modo Sport deu para sentir uma pequena melhora nas respostas ao acelerar durante as primeiras impressões em asfalto e fora de estrada.
Aceleração indicada de 0 a 100 km/h em 8,6 s.
Preços: R$ 141.990 a R$ 189.490.
GWM aposta também em veículos mais baratos
Presidente global da marca chinesa, Mu Feng fez mais uma visita ao Brasil.
Confirmou em entrevista que os planos da empresa vão bem além da produção do SUV Haval H6 GT na fábrica de Iracemápolis (SP), unidade antes desativada e comprada da Mercedes-Benz em agosto de 2021.
Hoje o H9 e a picape Poer, ambos com motor Diesel, estão sendo montados no regime de importação peça a peça, sem entrar no mérito de regimes discutíveis como SKD/CKD.
Em janeiro deste ano, a GWM iniciou negociações com o governo do Espírito Santo, embora ainda sem confirmar compromisso de investimentos.
Porém, em entrevista no último dia 6, Feng anunciou que vai oferecer também modelos mais baratos e já se sabe que nesta faixa de preço é importante dispor de instalações fabris no País.
Feng adiantou que a fabricação local ajuda a conquistar confiança dos clientes à medida que as vendas crescem.
Tudo será bem planejado, contudo nada adiantou sobre nível de verticalização (produção própria).
GWM continua a fabricar na China carros com motores a combustão, híbridos e elétricos conhecida como estratégia multienergia.
GWM afirma não entrar em guerra de preços. Feng só descartou lançar elétricos de alcance estendido (EREV, na sigla em inglês) que utilizam motor-gerador a combustão para recarregar uma bateria menor e mais leve, sem depender de estações de recarga.
Os EREV têm avançado bastante na China, em especial nas cidades afastadas dos grandes centros.
Teste: WR-V EXL atrai por preço e espaço

Concorrência acirrada levou a Honda a dispor de dois SUVs no segmento dos compactos. Apesar da nomenclatura poder confundir, o WR-V tem proposta diferenciada do HR-V.
Um pouco mais espaçoso internamente, porta-malas 29% maior (458 L, entre os maiores do segmento), massa em ordem de marcha 25 kg menor e apenas disponível com motor de aspiração natural (potência 51 cv menor em relação ao motor turbo). Em compensação, oferece preço mais atraente.
Estilo com linha de cintura e capô altos e dimensões próxima aos rivais: comprimento, 4.325 mm; entre-eixos, 2.650 mm, largura; 1.790 mm e altura, 1.650 mm. Dispensou “indefectíveis” barras longitudinais no teto. Faróis e lanternas em LED completam a nova identidade visual.
A fim de manter preço competitivo, o motor é de 1,5 L, aspiração natural, o que limita acelerações e retomadas: 126 cv (E/G) e torque de 15,8 kgf·m (E) e 15,5 kgf·m (G).

Câmbio automático CVT de sete marchas inclui estratégia de redução automática nas frenagens e descidas para criar efeito de freio-motor, porém sem modos de condução definidos para desempenho ou economia.
Consumo, padrão Inmetro: 8,2 km/l (E)/12 km/l (G), na cidade e 8,9 km/l (E)/12,8 km/l (G), na estrada. Tanque de combustível de somente 44 L restringe o alcance frente a concorrentes que têm mais de 50 L.
No teste, destacaram-se posição ao volante e espaço traseiro. Tela multimídia de 10 pol. oferece espelhamento sem fio para Android Auto e Apple CarPlay.
Recarga do celular apenas através de portas USB-A, mais lenta que a USB-C. Banco traseiro conta com uma tomada de 12 V e saídas de ar climatizado.
Em segurança, WR-V não decepciona: seis airbags e cinco recursos adicionais, destacando-se frenagem autônoma de emergência e assistente de permanência na faixa sem ser muito invasiva.
Versão de topo EXL dispõe de sensores de estacionamento traseiro e dianteiro.
Preço: R$ 154.000.
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