Negociação entre Ford e Xiaomi alarma Washington e pode abrir porta para carros chineses nos EUA

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A presença chinesa no setor automotivo norte-americano pode estar mais próxima do que se imagina, e a Ford aparece no centro dessa possível reviravolta.

De acordo com fontes próximas ao tema, a montadora americana teria iniciado conversas preliminares com a gigante de tecnologia chinesa Xiaomi para formar uma joint venture voltada à produção de veículos elétricos (EVs) nos Estados Unidos.

Embora a Ford negue publicamente qualquer envolvimento, a especulação já provocou forte reação em Washington.

John Moolenaar, republicano e presidente do comitê da China na Câmara, classificou a possível parceria como um retrocesso, alertando que isso tornaria os EUA ainda mais dependentes de tecnologia chinesa.

Segundo informações obtidas pelo Financial Times, a Ford também dialogou com a BYD e outras fabricantes chinesas sobre oportunidades de colaboração.

O CEO da Ford, Jim Farley, tem feito declarações ambíguas sobre o avanço chinês no setor automotivo: ao mesmo tempo que descreveu os EVs chineses como uma “ameaça existencial” às montadoras ocidentais, também importou um Xiaomi SU7 para uso pessoal.

Farley chegou a afirmar que os concorrentes chineses “estão absolutamente vindo” para os EUA, destacando a eficiência produtiva e os preços agressivos dessas empresas.

Em meio às tensões comerciais, a Ford já possui um acordo de licenciamento com a CATL, maior fabricante de baterias do mundo, para uso de sua tecnologia em solo americano — embora a empresa seja acusada de ter ligações com o exército chinês, algo que a CATL nega.

Atualmente, uma tarifa de 100% imposta por Biden em 2024 praticamente impede a entrada direta de veículos chineses nos EUA.

Mesmo assim, há sinais de flexibilização: em visita recente a uma fábrica da Ford em Michigan, o presidente Donald Trump afirmou apoiar a construção de fábricas chinesas no país desde que gerem empregos locais.

Nos bastidores, Trump prepara uma viagem à China em abril que pode incluir a negociação de um novo acordo comercial, dividindo opiniões dentro de sua equipe.

A Xiaomi, que fez uma estreia surpreendente no mercado automotivo em 2024, nega ligações com o exército chinês e já enfrentou acusações semelhantes durante o mandato anterior de Trump, mas foi retirada da lista negra pelo governo Biden após processo judicial.

Especialistas alertam que, caso a Ford avance com uma joint venture com a Xiaomi, outras montadoras americanas poderiam seguir o mesmo caminho por necessidade competitiva, criando um “efeito dominó” com implicações para a segurança nacional.

Enquanto isso, marcas como BYD e Geely já avançam rapidamente na Europa, Ásia e América Latina com modelos elétricos e híbridos acessíveis, ganhando terreno com produção local e preços imbatíveis.

Geely, que controla Volvo e Polestar, já estuda uma eventual entrada no mercado americano nos próximos três anos, o que aumentaria ainda mais a pressão sobre fabricantes locais como a Ford.

Com modelos populares como Escape e Edge descontinuados, e sem substitutos até pelo menos 2027, a montadora americana enfrenta um vácuo nas categorias de maior volume — justamente onde os EVs chineses são mais competitivos.

A equação entre sobrevivência no mercado e alinhamento estratégico com os interesses nacionais está ficando cada vez mais delicada para a Ford.

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Escrito por

Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio. Sua rede social: Facebook

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