Nikola Motors vai de 874 funcionários para apenas 1 e tem prejuízo de mais de R$ 8 bilhões

nikola 2
nikola 2

Em um mercado onde startups disputam protagonismo na corrida elétrica, poucas caíram tão rápido — e de forma tão dramática — quanto a Nikola Corporation.

A empresa, que já teve quase 900 funcionários e chegou a ser avaliada em bilhões, agora conta com apenas um nome em sua folha de pagamento.

Sem registrar uma única venda em novembro, a Nikola fechou o mês com prejuízo de R$ 8,8 milhões, aprofundando ainda mais o buraco aberto desde sua falência em fevereiro de 2025.

No acumulado desde o pedido de recuperação judicial, a empresa já perdeu mais de R$ 3 bilhões, sem qualquer perspectiva de reversão.

A única pessoa ainda contratada é Thomas Pitta, designado como o administrador do processo de liquidação judicial.

nikola 3
nikola 3

O balanço atual mostra uma situação de total insolvência: são R$ 682 milhões em ativos e R$ 1,63 bilhão em dívidas.

Dessa dívida, cerca de R$ 1,49 bilhão correspondem a obrigações não garantidas, contraídas antes da falência.

Para tentar mitigar o colapso financeiro, a Nikola vem leiloando seus últimos ativos a um ritmo acelerado.

Entre as transações recentes estão a venda de créditos ambientais para a Mack Trucks por R$ 84,1 milhões, e a cessão de ativos da Hyroad Energy para a Simoneta Ltd. por R$ 21,2 milhões.

Outras vendas incluem a participação na Wabash Valley Resources por R$ 6,2 milhões e uma negociação aprovada em abril com a Lucid, cujo valor não foi detalhado.

nikola 4
nikola 4

Ainda em disputa está um processo de arbitragem contra o fundador e ex-CEO Trevor Milton, que pode render cerca de R$ 550 milhões à Nikola.

Milton, que se tornou símbolo de promessas falsas e escândalos no setor de veículos limpos, foi recentemente perdoado pelas autoridades americanas após ser condenado por fraude.

Apesar disso, especialistas avaliam como improvável que a empresa consiga recuperar o valor total da indenização, dado o histórico do ex-executivo.

Enquanto a Nikola se desfaz, o setor de caminhões elétricos avança sem grandes abalos.

Montadoras como Volvo, Renault e a americana Motiv continuam ampliando suas frotas, acumulando milhões de quilômetros em operação e contando com infraestrutura de recarga cada vez mais robusta.

No fim, o sonho de revolucionar o transporte de cargas com caminhões movidos a hidrogênio e baterias virou um alerta para o mercado: hype e tecnologia não andam juntos sem responsabilidade e entrega real.

A história da Nikola entra para os anais da indústria como um dos maiores colapsos de uma empresa de mobilidade limpa no século.

O que você achou disso?

Clique nas estrelas

Média da classificação 4,7 / 5. Número de votos: 6

Continue lendo

Compartilhe esta notícia

Receba as notícias em tempo real

Escrito por

Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio. Sua rede social: Facebook

Ver todas as reportagens de Eber →