
A nova disputa entre Londres e Bruxelas pode virar um terremoto industrial, porque a Nissan teria avisado o governo britânico que pode fechar Sunderland se ficar fora do “Made in Europe”.
Segundo três pessoas a par das conversas, a montadora disse que seria forçada a encerrar a operação caso o Reino Unido não seja plenamente incluído nas metas de fabricação da UE.
As propostas apresentadas pela União Europeia na quarta-feira exigem que veículos para frotas corporativas e EVs pequenos sejam montados dentro do bloco, mesmo após forte lobby britânico.
Isso coloca pressão direta sobre Nissan, Jaguar Land Rover e Toyota, que produzem no Reino Unido para abastecer o mercado europeu, hoje o principal destino de exportação do setor.
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Uma porta-voz da JLR disse na quinta-feira que o escopo atual pode afetar “significativamente” a competitividade no mercado da UE, limitar escolhas e elevar custos.
Peter Kyle, secretário de negócios do Reino Unido, estaria levando a ameaça “muito a sério” e conversando com montadoras para entender exatamente o impacto das regras.
Kyle, que vinha defendendo a entrada britânica em qualquer esquema “Made in Europe” e inicialmente havia recebido bem as propostas, deve intensificar a ofensiva nas próximas semanas.
O pacote é parte de um esforço para proteger a base industrial europeia de €2tn [cerca de R$ 12,2 trilhões] contra concorrência em setores estratégicos, especialmente da China.
Bruxelas sinalizou que parceiros como Reino Unido, Coreia do Sul e Japão poderiam acessar compras públicas e subsídios em tecnologias limpas e partes do setor automotivo, desde que haja reciprocidade.
A Comissão Europeia recusou comentar o risco para a produção britânica, enquanto a Nissan disse que a Comissão reconheceu a importância de parceiros na cadeia de suprimentos da UE.
Ao mesmo tempo, a empresa criticou definições diferentes para frotas corporativas e para o “supercrédito” de carros pequenos, alegando que isso cria confusão e complexidade desnecessária.
O peso do tema é enorme porque seis em cada dez carros vendidos na Europa são de frotas corporativas, e para algumas marcas o segmento chega a representar metade das vendas anuais.
A Nissan emprega cerca de 6.000 trabalhadores em Sunderland e sustenta outros 30.000 postos na cadeia, tendo investido £6bn (aproximadamente R$ 42,8 bilhões) no complexo.
Mesmo assim, a taxa de utilização estaria por volta de 30% por causa da demanda fraca, e uma fonte próxima disse que ser “congelada” fora dos incentivos da UE seria ameaça “existencial”.
Mike Hawes, CEO da Society of Motor Manufacturers and Traders, afirmou que o setor está “gravemente preocupado” e que as regras discriminariam veículos e componentes feitos no Reino Unido.
O pano de fundo piora porque a produção britânica já caiu ao menor nível desde os anos 1950 após a Stellantis fechar a fábrica de vans de Luton, e a BMW pausou um plano de £600mn [cerca de R$ 4,28 bilhões] para Minis elétricos em Oxford.
A Ford, que fabrica motores no Reino Unido e também produz vans comerciais na Turquia, alertou que as propostas enfraquecem cadeias estabelecidas e ampliam incertezas para planejar e investir.
Jim Baumbick, chefe da operação europeia da Ford, disse que é preocupante deixar em aberto a exclusão de parceiros confiáveis, enquanto uma fonte descreveu o Reino Unido como “vítima colateral” da proteção ao mercado.
A proposta liderada pelo comissário francês Stéphane Séjourné ainda será negociada entre Parlamento Europeu e Estados-membros, abrindo um período longo de incerteza e lobby agressivo.
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