
A Nissan está tentando dar a volta por cima sob o comando do novo CEO Ivan Espinosa, mas a tarefa pode ser mais difícil do que parece — especialmente quando a própria rede de concessionárias da marca diz que não confia nela.
Dados da pesquisa anual da Kerrigan Advisors revelam um cenário preocupante: 64% dos concessionários afirmaram não confiar na Nissan, mesma taxa registrada para a Stellantis (dona de marcas como Chrysler, Jeep e Dodge), e 61% disseram o mesmo sobre a Infiniti, divisão de luxo da Nissan.
O levantamento mostra ainda que, embora a maioria dos lojistas espere manter lucros e valor de mercado semelhantes aos de 2025, um número crescente acredita que 2026 será melhor — mas não para marcas como Nissan.
Concessionários que não confiam no futuro da montadora tendem a investir menos nas lojas e evitam injetar recursos em estruturas ligadas à marca.
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Como define a própria consultoria Kerrigan: “Concessionárias que confiam na marca investem na marca. Elas se sentem seguras em colocar dinheiro no negócio.”
Stellantis conseguiu melhorar ligeiramente sua imagem, reduzindo em 8 pontos percentuais a taxa de desconfiança em relação ao ano anterior. Já a Nissan continua estagnada no fundo da tabela.
Em resposta, o Grupo Nissan disse, por meio de nota, que valoriza o retorno da rede e reafirma seu compromisso com o fortalecimento da parceria com os revendedores.
A marca prometeu novos veículos, serviços e programas de apoio voltados a aumentar a confiança e gerar lucros de longo prazo.
Mas o discurso otimista esbarra em uma realidade dura: a Nissan parece estar dobrando a aposta em uma estratégia de baixo custo, alto volume, incluindo a venda de modelos Mitsubishi reestilizados com logotipo Nissan e menos conteúdo de série.
Essa abordagem, vista por muitos como uma tentativa de enxugar custos a qualquer preço, pode até manter a marca viva no curto prazo, mas prejudica sua imagem de valor no médio e longo prazo — especialmente em um cenário econômico instável.
Com analistas prevendo uma possível desaceleração global provocada por uma “bolha da IA”, a pergunta que fica é: essa estratégia de volume com margens apertadas vai funcionar se o mercado afundar?
Por enquanto, tudo indica que o desafio do novo CEO vai além de cortar custos — ele precisa reconquistar a confiança de quem coloca os carros na rua: a própria rede de concessionárias.
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