
Num segmento em que o peso enorme das baterias costuma ser tratado como inimigo da dinâmica, uma ideia radical propõe transformar esse fardo em aliado da performance e da segurança.
É isso que aparece em um novo pedido de patente da Nissan nos Estados Unidos, descrevendo um sistema em que o conjunto de baterias de um EV pode se mover dentro do carro.
A lógica nasce da mesma filosofia dos coxins de motor ativos vistos em esportivos de alto nível, capazes de controlar torções e até ajudar no equilíbrio do carro em curvas.
Aqui, porém, o alvo é a bateria de tração, um dos componentes mais pesados de um EV, que em casos extremos pode chegar perto de 1.300 kg, como no Hummer EV.
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Em vez de fixar esse bloco de peso de forma totalmente rígida, a Nissan propõe montar a bateria em um “berço” móvel, com atuadores que a deslocam para frente, para trás, para a esquerda ou para a direita.
O documento, registrado sob o genérico título de “veículo”, deixa claro que a solução vale tanto para EVs monobloco, ao estilo Leaf, quanto para plataformas de chassi e carroceria separados, como picapes.
Na prática, o pack ficaria dentro de uma bandeja, e essa bandeja é que seria ligada ao veículo por atuadores, permitindo deslocamentos controlados para alterar o centro de gravidade.
Para decidir como e quando mexer nesse peso todo, o sistema pode se apoiar em uma bateria de sensores bastante ampla, começando por medidores de carga em suspensões com feixes de mola.
Em veículos com suspensão pneumática ou hidráulica, a própria variação de pressão do sistema serviria para inferir a distribuição de peso entre os quatro cantos do carro.
O pacote de informações ainda inclui câmeras para ler o terreno e o ambiente ao redor, sensores de aceleração, de inclinação, de rotação em yaw e de distância para obstáculos.
A isso se somam giroscópios, sensores a laser, ultrassom, infravermelho, captação acústica e radar, praticamente qualquer tecnologia disponível capaz de descrever o comportamento dinâmico do veículo.
Todos esses dados convergem para um computador central, que decide se a distribuição de peso atual é ideal ou se vale deslocar a bateria para outro ponto do chassi.
Ao comandar os atuadores, o sistema move o pack até a posição considerada mais adequada para aquela condição, travando-o ali até que uma nova correção seja necessária.
A patente também prevê uma interface de usuário, por botões, tela sensível ao toque ou comandos de voz, para ativar o recurso em modos específicos de condução e até escolher o “mapa” de peso desejado.
No campo esportivo, a Nissan fala abertamente em oferecer um modo menos econômico e mais agressivo, em que o motorista poderia priorizar respostas mais rápidas e comportamento mais afiado em pista.
Ao deslocar ligeiramente o centro de gravidade para dentro da curva ou mais para trás em acelerações fortes, o sistema pode melhorar a aderência, lembrando o efeito de um motor traseiro em um Porsche 911, mas de forma controlada.
Fora do asfalto liso, a ideia abre espaço para aplicações como off-road, em que mexer no peso ajuda a evitar capotagens em terrenos bastante inclinados ou a ganhar tração extra em situações de atolamento.
Em reboques pesados, o ajuste dinâmico poderia compensar o alívio do eixo dianteiro em subidas, jogando mais massa para frente para manter o controle da direção e aproveitar melhor eventuais motores dianteiros.
Há ainda implicações diretas para segurança passiva, como recuar a bateria em uma colisão lateral iminente para reduzir o risco de danos severos e minimizar a chance de incêndio.
Como o pedido de patente deixa várias possibilidades em aberto, a tecnologia pode aparecer tanto em um futuro esportivo estilo GT-R elétrico quanto em SUVs e picapes, transformando um “problema de peso” em ferramenta ativa de controle dinâmico.
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