
A Noruega acaba de alcançar um feito inédito no mundo: praticamente eliminou os carros a combustão das suas vendas em 2025, cumprindo com folga a meta ousada traçada oito anos atrás.
Em 2017, o país escandinavo estabeleceu a ambição de banir novos veículos fósseis até 2025, muito antes de qualquer outro país, mesmo quando apenas um terço das vendas era de EVs.
Na época, muitos duvidaram da viabilidade do plano, mas o governo norueguês manteve o rumo, criou políticas consistentes e não voltou atrás nem diante das pressões do mercado global.
Agora, os números divulgados pela agência de transporte OFV confirmam: a meta foi atingida, com apenas 1,3% dos carros vendidos no ano sem bateria de tração.
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Foram registrados 179.549 carros de passeio novos em 2025, dos quais 172.232 eram 100% elétricos e 2.751 híbridos plug-in, somando 95,9% de veículos sem motor exclusivamente a combustão.
Além disso, 97,5% dos veículos vendidos no ano tinham algum tipo de carregamento externo.
Do outro lado da estatística, apenas 2.306 híbridos convencionais, 1.773 modelos a diesel e ínfimos 487 a gasolina foram licenciados — um número quase simbólico.
Nenhum carro movido a hidrogênio foi vendido no ano, marcando o fim de uma era para essa tecnologia no país, que em 2024 ainda havia registrado 9 unidades.
O mês de dezembro foi ainda mais impressionante: 97,6% das vendas foram de modelos totalmente elétricos, consolidando o fim da combustão como regra.
Segundo a agência Reuters, os poucos carros fósseis vendidos foram voltados a usos específicos, como viaturas policiais, veículos acessíveis para cadeirantes e alguns esportivos.
Esse boom de vendas no fim do ano foi impulsionado pelo fim de incentivos fiscais para EVs mais caros, o que gerou uma corrida por modelos acima de 300 mil coroas norueguesas (cerca de R$ 150 mil).
A Tesla se beneficiou diretamente desse movimento e fechou 2025 como a marca mais vendida do país, com 19,1% do mercado — à frente de gigantes locais como VW e Volvo.
O Model Y foi o líder absoluto entre os modelos, vendendo mais de três vezes que o segundo colocado, o VW ID.4.
Fabricantes chinesas também avançaram: os EVs da China saltaram de 10,4% para 13,7% de participação no mercado norueguês.
Mas a revolução não está só nas vendas: os EVs agora são o tipo de veículo mais comum nas ruas do país.
No fim de 2024, eles já tinham superado os carros a gasolina, e agora também ultrapassaram os modelos a diesel.
Hoje, 31,78% da frota da Noruega é composta por elétricos, contra 31,76% de diesel, 23,9% de gasolina e 12,56% de híbridos.
Mesmo com a conquista histórica, o diretor da OFV, Geir Inge Stokke, alerta que ainda há trabalho pela frente, já que dois terços da frota total ainda são movidos a combustíveis fósseis.
Ele aponta que a resistência à mudança se concentra em regiões específicas, como Finnmark, onde “apenas” 86% das vendas foram de elétricos em 2025.
Em contraste, até locais remotos como Svalbard já contam com vans elétricas para serviços postais, mostrando que a transição é possível até nos pontos mais extremos do país.
Com incentivos reduzidos e o mercado já maduro, a expectativa é que as vendas de EVs possam cair um pouco nos próximos meses, ou talvez apenas migrem para modelos mais acessíveis.
De toda forma, com a estrutura fiscal ainda penalizando veículos poluentes, é improvável que os motores fósseis voltem a ter qualquer protagonismo na Noruega.
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