O aviso mais duro já feito dentro da Toyota: “não estamos fazendo nem o básico” e o futuro pode desandar com falhas de qualidade

koji sato toyota (1)
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Enquanto muita gente enxerga a Toyota como sinônimo de máquina bem azeitada, o discurso de despedida do CEO Koji Sato pintou um quadro bem menos confortável.

No encontro anual com fornecedores, Sato foi direto ao dizer “Não sobreviveremos se as coisas continuarem como estão”, como se a maior ameaça viesse de dentro.

O tom duro apareceu de novo quando ele cravou “Não estamos fazendo nem o básico direito”, frase que até o boletim interno da empresa descreveu como frustração explícita.

A irritação começou com clientes esperando carros após uma paralisação de fábrica prolongada e inesperada, mas rapidamente virou um diagnóstico de rotina operacional.

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Segundo Sato, “a maioria dos motivos da suspensão operacional são problemas de equipamento e defeitos de qualidade na Toyota e nos nossos fornecedores”.

Ele atribuiu os atrasos a defeitos de qualidade compartilhados e lembrou que, mesmo após dois anos de investimentos para melhorar a cadeia, os resultados não apareceram.

O timing torna tudo ainda mais sensível porque Sato ficaria como presidente por apenas mais algumas horas e, neste 1º de abril, passa o cargo ao CFO Kenta Kon.

Sato ocupou a função por três anos, após Akio Toyoda deixar o posto, e agora sai sugerindo que a empresa acumulou coisas “só por segurança” e práticas que “não podem ser mudadas”.

Na leitura dele, esse ambiente cria um backlog interminável de pendências e impede as áreas de fazerem “high-value-added work”, com energia drenada por tarefas defensivas.

Até a ferramenta interna chamada Toyota Standard, pensada para reutilizar conhecimento e agilizar desenvolvimento, teria virado “uma massive task list” que precisa ser simplificada.

Quando o assunto virou concorrência, Sato apontou fabricantes da China e de outros lugares e avisou que, se as montadoras japonesas baixarem a guarda, serão surpreendidas rapidamente.

Ele chamou a força da cadeia de suprimentos japonesa de maior vantagem de manufatura do país, mas disse que o maior desafio é a velocidade.

Sato afirmou que a diferença de rapidez frente a fabricantes emergentes afeta diretamente a competitividade de custos, a velocidade de introdução de novas tecnologias e, no fim, o apelo do carro.

Como resposta, ele falou em implementar um processo de desenvolvimento mais enxuto, fortalecer software dentro de casa e reduzir combinações de powertrain e tipos de software entregues.

Ao pedir desculpas aos fornecedores, Sato disse que a falta de entendimento dos sites e produtos deles gerou “considerable burdens”, comparando Toyota e fornecedores a duas rodas no mesmo eixo.

Já Kenta Kon, o CEO e presidente que entra, afirmou que não vai causar inconvenientes a fornecedores e stakeholders e que precisa “rebuild our current competitive foundation and restore Toyota’s strength”.

Kon também citou Kiichiro Toyoda ao lembrar que “o automóvel é um mundo desconhecido” e prometeu visitar cada site de fornecedor para identificar como os sistemas da Toyota os prejudicam e agir.

Mesmo com esse clima de cobrança, a Toyota terminou 2025 com mais de 8% de crescimento de vendas na América do Norte e, quando vier a queda de vendas no Q1 2026, a expectativa é de números estáveis diante do recuo de muitos concorrentes.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio.


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