
No mercado automotivo, reputação ruim não some com propaganda nem com lançamento, e quando o público começa a associar uma marca a “barato”, a conta chega rápido.
É nesse clima que a Stellantis decidiu contratar cerca de 2.000 engenheiros para atacar de frente queixas de qualidade enquanto uma nova leva de modelos começa a chegar.
Em uma teleconferência de resultados em fevereiro, o CEO Antonio Filosa chamou o movimento feito nos Estados Unidos de “deep reset” e disse que a empresa está reestruturando processos internos.
“Estamos redefinindo a execução e melhorando os processos de gestão da qualidade para lidar com problemas operacionais anteriores provocados por decisões do passado”, afirmou Filosa.
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O tema ganhou ainda mais tração após relatos de insatisfação trabalhista ligados a um bônus de $0, reforçando a percepção de que havia fricção dentro e fora da companhia.
Segundo a AutoNews, qualidade agora tem peso maior na estrutura de liderança, e o Chief Quality Officer Sebastien Jacquet passou a integrar o time estratégico de liderança.
Na prática, isso sinaliza que a qualidade deixa de ser um assunto “de fábrica” e passa a ser parte do plano central de negócios em todas as marcas.
O problema é que a Stellantis chega a essa virada com um histórico recente bem irregular nos relatórios de mercado, especialmente nos Estados Unidos.
Em 2020, a Dodge foi a primeira marca doméstica a liderar o J.D. Power U.S. Initial Quality Study e repetiu o feito em 2023.
No ano seguinte, a Dodge despencou para o último lugar antes de subir novamente e fechar em sétimo no estudo de 2025.
No levantamento mais recente, Chrysler e Ram também ficaram abaixo da média, numa medição que contabiliza problemas relatados nos primeiros 90 dias de propriedade.
O pacote chama atenção porque não é comum ver falhas recorrentes em modelos veteranos como Chrysler Pacifica e Dodge Durango, que já deveriam estar “madurados” em produção.
Por outro lado, é esperado que lançamentos e grandes reestilizações, como a Ram 1500 recentemente renovada, enfrentem dores de adaptação quando chegam às ruas.
“Quando você lança veículos novos, redesenha veículos e adiciona novas tecnologias, é o momento em que você tem mais problemas”, disse Jake Fisher, diretor do Auto Test Center da Consumer Reports.
Para Fisher, as montadoras mais confiáveis costumam ser as mais estáveis, com plataformas e conjuntos mecânicos de continuidade, reduzindo variáveis e surpresas na linha.
Entre concessionários, há quem ligue a fase atual a cortes de custos da gestão do ex-CEO Carlos Tavares, que teriam reduzido recursos de engenharia.
“Na minha cabeça, isso provavelmente volta para a engenharia”, disse Sean Hogan, chairman do Stellantis National Dealer Council, ao comentar que cortes e mesma qualidade raramente coexistem.
Olhando adiante, a Stellantis tenta simplificar e apostar em hardware já conhecido, como o retorno do V8 Hemi 5.7 na Ram 1500, que alguns analistas veem como possível ganho de confiabilidade.
Mesmo sendo menos potente, menos rápida e, em geral, menos eficiente, a versão atraiu interesse extremo de compradores, enquanto a empresa promete elevar o padrão com reforço de gente e processo.
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