
O que mais irrita muita gente hoje não é a tecnologia no carro, e sim a sensação de que ela vem “pela metade” e só se completa com assinatura.
Mesmo com a rejeição ampla a cobranças recorrentes, várias montadoras seguem empurrando mensalidades para recursos que muita gente considera básicos, sobretudo em EVs.
A Tesla é o caso mais emblemático, porque sem o plano “Full Self-Driving (Supervised)” por US$ 99 (R$ 500) ao mês seus carros ficam com menos assistências padrão que compactos baratos.
A empresa, que vende a imagem de vanguarda, acaba deixando uma parte do pacote de direção assistida com cara de opcional obrigatório para quem quer o mínimo de conveniência.
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E ela não está sozinha, já que em fevereiro a Rivian lançou seu sistema de condução sem as mãos e o precificou em US$ 2,500 (R$ 12.700) à vista ou US$ 49.99 (R$ 250) por mês, segundo a Automotive News.
Na Investor Day em Nova York no mês passado, a Lucid também anunciou um programa de autonomia por assinatura entre US$ 69 (R$ 350) e US$ 199 (R$ 1.000), variando pelo nível escolhido.
Nem as marcas tradicionais ficaram fora, e a Mercedes-Benz planeja oferecer três anos de acesso ao MB.Drive Assist Pro por US$ 3,950 (R$ 20.100) ou em mensalidade, de acordo com a Car and Driver.
O problema é que o preço mensal não está claro, e a dúvida mais incômoda é o que acontece depois do período de três anos, quando o recurso já virou hábito.
A BMW também prepara um programa semelhante para recursos de assistência ao motorista, reforçando o movimento de “travar” software para vender acesso contínuo.
Até fabricantes de perfil mais popular embarcaram, com a General Motors cobrando o Super Cruise por US$ 39.99 (R$ 200) mensais e a Ford pedindo US$ 49.99 por mês pelo BlueCruise.
Segundo analistas da JD Power ouvidos pela Auto News, consumidores não estão dispostos a assinar funções que deveriam ser padrão ou, no mínimo, compráveis de uma vez.
A sensação descrita é de estar sendo cobrado em pequenas parcelas por algo que já deveria estar no carro, especialmente quando a tecnologia não entrega autonomia total.
As montadoras parecem ter aprendido, porém, que certas ideias são veneno, como assinatura para bancos aquecidos, tentativa da BMW que deu muito errado em alguns mercados.
O incômodo também migrou para fora do carro, porque recursos que eram físicos e simples, como partida remota no chaveiro, agora podem ficar presos a apps com assinatura, segundo a Auto News.
A Tesla defende que faz mais sentido cobrar mensalmente pelo FSD (Supervised) do que repetir o antigo pagamento único, que já foi de US$ 8,000 (R$ 40.800) a US$ 15,000 (R$ 76.500).
A assinatura de US$ 99 começou em 2021, e em outubro do ano passado a empresa disse que cerca de 12% dos Teslas em circulação tinham o recurso ativado.
Em janeiro, a Tesla afirmou ter 1,1 milhão de usuários globais, incluindo quem comprou o recurso no formato antigo, mas o objetivo citado para o plano de remuneração de Elon Musk exige 10 milhões de assinantes ativos.
Como a taxa única foi descontinuada em fevereiro e o Autopilot foi encerrado, levando junto a centralização de faixa padrão, a opção de “não assinar” pode significar perder funções esperadas.
No fim, a explicação é simples: assinatura dá receita previsível, e ela só vai sumir se gente suficiente parar de pagar, mesmo que a maioria odeie a ideia.
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