O teste que desmonta a fé nos cavalos: um Mustang Dark Horse passou no rolo e mostrou que o número que você idolatra pode ser puro acaso

mustang dark horse sc 1
mustang dark horse sc 1

A obsessão por desempenho mensurável virou a língua oficial do mercado, mas um teste recente sugere que os números mais repetidos podem ser os menos confiáveis.

Montadoras e preparadores usam dinamômetros para estimar potência e torque, só que diferentes máquinas podem “enxergar” resultados bem distintos no mesmo carro.

Para escancarar isso, Matt Farah e a Road & Track levaram o mesmo Ford Mustang Dark Horse a quatro dinamômetros de chassi no sul da Califórnia.

Nada mudava entre as sessões: o mesmo V8 5.0, a mesma gasolina de 91 octanas, as mesmas condições climáticas e o mesmo fator de correção SAE.

Veja também

Na teoria, o Dark Horse deveria ficar por volta de 446 cv nas rodas considerando perdas típicas da transmissão, já que a Ford divulga 507 cv e 57,8 kgfm no motor.

Na prática, o intervalo foi grande demais para ignorar, com leituras de potência nas rodas indo de 427 cv até 471 cv, como se fossem quatro carros diferentes.

O equipamento mais antigo do teste era um SuperFlow de cerca de 30 anos na Westech Performance Group, e ele registrou 427 cv e 50,8 kgfm.

Esse tipo de dinamômetro costuma ganhar o apelido de “heartbreaker” entre entusiastas por entregar números mais baixos e derrubar expectativas de quem só quer um print bonito.

No extremo oposto apareceu um dinamômetro AWD mais moderno na World Motorsports, que cravou 471 cv e 53,6 kgfm e abriu quase 44 cv de diferença.

A própria oficina admitiu que a máquina tende a ler mais alto do que outras, mas também ressaltou que muitos esportivos modernos com tração integral exigem esse tipo de estrutura.

No meio do caminho, um Dynapack de cubo na Bisimoto Engineering apontou 437 cv, enquanto um Dynojet na HK MotorSports marcou 432 cv.

Só que o dinamômetro é apenas parte do problema, porque fatores de correção climática podem distorcer ainda mais a leitura mesmo sem mexer no carro.

Um técnico teria mostrado quatro ajustes de correção diferentes para a mesma puxada, e a variação quase chegou a 101 cv no papel.

É por isso que preparadores mais experientes olham menos para o número final e mais para a linha de base e o ganho após mudanças, sempre no mesmo rolo.

Se um pacote entrega mais 30 cv nas mesmas condições, essa informação vale muito mais do que uma folha “validada no dinamômetro” feita em outro lugar.

No fim, potência divulgada ajuda a comparar produtos, mas está longe de ser absoluta, e até aumentos anuais de 10 ou 20 cv podem sumir na variação normal.

Ironicamente, um carro modificado com gráfico recente pode contar uma história mais honesta do que a ficha técnica, porque ao menos você sabe o que aquele carro fez naquele dia.

⭐ Siga o Notícias Automotivas no GoogleAcompanhe nosso conteúdo direto no Google e fique por dentro das últimas notícias automotivas.Seguir no Google
📣 Compartilhe esta notíciaXFacebookWhatsAppLinkedInPinterest
📨 Receba um email com as principais Notícias Automotivas do diaReceber emails
📲 Receba as notícias do Notícias Automotivas em tempo real!Canal do WhatsAppCanal do Telegram
Siga nosso site no Google Notícias
noticias
Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio.


formulario noticias por email

O que você achou disso?

Clique nas estrelas

Média da classificação / 5. Número de votos:

Nenhum voto até agora! Seja o primeiro a avaliar este post.