
Poucos meses depois de os EUA imporem um bloqueio de petróleo, a falta de combustível apertou e as luzes se apagaram em Cuba, empurrando motoristas para soluções extremas.
Décadas de improviso automotivo viraram quase uma cultura no país, e a Reuters contou como um cubano decidiu não esperar a gasolina voltar para seguir rodando.
Juan Carlos Pino pegou seu carro e fez algo que parece saído de ficção científica, só que movido a necessidade: converteu o motor para funcionar com carvão.
O veículo é um Polski Fiat de 1980, basicamente um Fiat 126 produzido sob licença na Polônia, “atrás da Cortina de Ferro”, e com motor traseiro.
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Para acomodar a invenção, Pino removeu a tampa do compartimento do motor e instalou uma estrutura caseira que lembra um DeLorean de Doc Brown com “Mr. Fusion”.

Nada veio do futuro, porque ele construiu tudo sozinho, usando peças reaproveitadas e soluções simples para lidar com o que tinha disponível em casa.
Um antigo tanque de propano virou a câmara onde o carvão queima, e a vedação foi feita com a tampa retirada de um transformador de energia.
Entre a câmara e o motor, ele colocou um filtro improvisado, montado com uma leiteira de aço inoxidável recheada de roupas velhas como elemento filtrante.
Em um dos primeiros testes, o carro percorreu 85 km e alcançou 69 km/h, um desempenho modesto, porém melhor do que ficar parado.
A ideia veio do tio de Pino e do site Drive On Waste, onde ele encontrou projetos e orientações para desenhar o sistema e adaptar ao seu carro.

Como carvão é combustível sólido e gasolina é líquida, o truque é transformar o carvão em um gás combustível, só que não é “gás” de posto.
O processo gera monóxido de carbono, um gás muito perigoso, e o próprio projeto depende de não haver vazamentos para evitar intoxicação.
O carvão queima na câmara principal e produz o chamado “chargas”, que é apenas um nome mais amigável para um gás.
Um soprador empurra esse gás por uma câmara de resfriamento e pelo filtro até o carburador, que mistura o chargas com ar para alimentar a combustão.
Depois que o motor pega, o soprador pode ser desligado, porque o próprio motor passa a “puxar” o gás e manter o fluxo funcionando.
Apesar de parecer novidade, a Nature já discutia isso em 1934, e a solução virou comum na Europa na Segunda Guerra, quando o petróleo era interrompido.
Não é algo que se chamaria de seguro, mas, em tempos de escassez como os que Cuba enfrenta, medidas desesperadas acabam virando a única estrada possível.
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