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Opala: a história do carro que apaixonou brasileiros de 1968 a 1992

Não tem quem já não tenha andado, dirigido ou ouvido falar no Chevrolet Opala, o queridinho da GM, a primeira grande aposta da marca para o mercado nacional, que conquistou e ainda conquista toda uma legião de fãs país afora.

Opala: a história do carro que apaixonou brasileiros de 1968 a 1992


Mas sua história se dá muito antes de sua primeira aparição, tendo início com a instalação da planta da GMB – General Motors do Brasil, antes conhecida por Companhia Geral de Motores do Brasil, na cidade de São Caetano do Sul, em 1925.

Até o lançamento do modelo, a GM tinha apenas em seu line-up, picapes, utilitários e caminhões, quando o Governo de Juscelino Kubitschek, juntamente com o GEIA – Grupo Executivo da Indústria Automobilística, deu o sinal verde para o desenvolvimento do primeiro Chevrolet nacional.

Criação do Opala – Projeto 676

Tendo o aval do governo e da matriz americana, dava-se então o start para a criação do primeiro Opala. A dúvida ficava por quem utilizar para tomar por base nesta nova empreitada. Houveram estudos para se utilizar o Impala, sucesso de vendas nos Estados Unidos, principalmente no modelo Impala 67. ou recorrer a um projeto mais econômico, porém tão carismático quanto o novo modelo seria.

A Chevrolet, acabou por optar pela segunda opção e utilizar a base do Opel Rekord. Tendo já uma base para se iniciar o projeto, a GM lança em 23 de novembro de 1966 para a imprensa no Clube Atlético Paulistano, o projeto 676, a primeira geração do mito.

Antes do Opala, Opel Rekord

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Sendo apresentado pela Opel – então braço europeu da GM, hoje já pertencente ao Grupo PSA – Peugeot/Citroën – o Opel Rekord, foi mostrado ao público pela primeira vez em 1953. Construído na planta Alemã de Rüsselsheim, o Opel Rekord, lançado com a versão Olympia, logo se tornou sucesso de vendas.

Com seus 4,24 metros de comprimento, e motor de 1.5 litros, ele era com certeza um dos maiores trunfos da marca na época. Dois anos depois, surgia a nova geração P1, com 4,43 metros de comprimento, e opções de motores 1.5 e 1.7 litros. Nos anos 1960, vinha a segunda geração, chamada de Rekord P2, maior ainda que a geração anterior, com 4,51 metros de comprimento. Três anos mais tarde, era lançado a Rekord A era lançado, com o mesmo comprimento que a geração anterior, e com opção e motores seis-cilindros em linha de 2.6 litros.

Em 1965, o modelo B do Opel Rekord, acrescentava na sua gama, a opção de motor de 1.9 litros. Já em agosto de 1966, a Opel apresentava o Rekord C, com um desenho muito familiar, que fora usado tempos depois no Chevrolet Opala. Mesmo com pequenas diferenças estéticas entre os dois modelos, era fácil reconhecer sua ascendência alemã.

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O Opel Rekord C, era oferecido em carrocerias sedã, e perua de duas ou quatro portas – opção que foi ate cogitada para o modelo da GM, porém acabamos por ficar apenas com a opção de duas portas para a perua que tinha o mesmo nome, Caravan. O sedã de duas portas do Rekord, tinha o mesmo perfil da sua versão com quatro portas.

Além das versões sedã de duas ou quatro portas e da perua com essas duas variantes, o Opel Rekord, ainda contava com uma variante coupe, e uma oferta de motores bem variadas, para todos os gostos e bolsos. Outo detalhe que o Opel Rekord e o Chevrolet Opala não têm em comum, são as ofertas de motores.

Uma vez que o modelo nacional dispunha de motores de 4 ou 6 cilindros, já sua variante europeia, tinha motores de menor cilindrada, com opções para o mercado Europeu de 1.5 litro de 58 cv, 1.7 de 60 cv e de 75 cv, 1.9 de 90 cv e, a partir de 1967, o 2.2 de 95 cv, apenas este com seis cilindros em linha.

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Lançamento do Opala – Salão do Automóvel de 1968

Durante o VI Salão do Automóvel de São Paulo, a GM anunciava o novo Chevrolet Opala, montado sobre um palco giratório, em um estande de 1500 m², o novo GM debutava pela primeira vez.

Como de costume em apresentações de carros em salões do automóvel, havia apresentações artísticas a cada meia hora para entreter os convidados e apaixonados por carro. Porém, o estande da GM, era sem dúvida o mais comentado e visitado.

Com a presença ilustre do piloto inglês Stirling Moss e de várias misses, o Opala vinha ao mundo em grande estilo. Apresentado em 1968, como linha 1969, o Opala estava bem servido no que se diz respeito a divulgação.

Tendo nomes fortes, como a atriz Tônia Carrero, o cantor Jair Rodrigues e o jogador de futebol Rivelino, eles estreavam o comercial televisivo que tinha por tema, “Meu carro vem aí”. Onde o famoso jogador de futebol recusava uma carona em um outro carro para poder ir de Opala.

O nome Opala

Uma das origens do nome do Opala vem da junção de Opel – que cedeu muito da base para o novo GM e Impala – modelo americano de grande destaque que emprestou motores e transmissões para o GM.

A outra origem, se dá pela pedra preciosa Opala, um minério valioso, que quando se expõe a luz, reflete inúmeras cores, dando ao novo GM uma áurea de luxo e sofisticação.

Opala 1969 a 1980

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Apresentado em 1968, já como linha 1969, o Chevrolet Opala tinha duas versões de motor, que vieram emprestados do Chevrolet Impala. Um 3.8 litros com seis cilindros em linha com possantes 125 cavalos. O outro, um 2.5 litros, dessa vez com quatro cilindros em linha desenvolvia bons 80 cavalos.

A primeira versão do Opala, vinha na carroceria sedã de quatro portas, com versões Standart e Luxo. As belas linhas do modelo, vindas do Opel Rekord, reforçavam a da linha de cintura ondulada dos para-lamas traseiros. O estilo “garrafa de Coca-Cola” no perfil lateral, estava em alta na época por sua adoção no Corvette de 1968.

Os faróis circulares (não ovalados, como os do Opel Rekord) vinham incrustados em uma grade de muitos frisos horizontais cromados, e as luzes de direção, abaixo do para-choque. Na traseira, uma bela faixa frisada, levava o nome da Chevrolet em fonte cursiva, dando muito mais charme e autenticidade ao modelo com nome de pedra preciosa.

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As lâmpadas de ré, estavam sob o para-choque. A nomenclatura, vinha nas laterais traseiras do carro, e as versões que eram chamadas de 2500 e 3800 vinham anexadas nos para-lamas dianteiros. As belas calotas cromadas, casavam muito bem com os belíssimos pneus de faixa branca ou banda branca como são conhecidos em algumas regiões do país.

Com espaço interno para 6 ocupantes, o conforto era de primeira linha, uma vez que seus bancos eram inteiriços e a alavanca de câmbio ficava na coluna de direção.  Os motores de origem americana, apesar de não serem os mais modernos, esbanjavam ao menos uma força bruta e robustez e potência elevada, uma tradição da marca.

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Um fato curioso, é que por utilizar boa parte de ferramental europeu e outra parte norte americana, parafusos e porcas do motor e da transmissão eram em polegadas, como os norte-americanos, enquanto todo o resto era métrico, no sistema europeu.

Isso obrigava as concessionárias a terem ferramentas com os dois sistemas de medidas. A questão levaria alguns anos para ser corrigida, tendo sido adotado logicamente o padrão métrico ao qual o Brasil obedece.

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Já nos anos 1970, o Opala demonstrava que tinha vindo para ficar, com as vendas em alta, em junho de 1971, a Chevrolet lançava a versão que até hoje arrepia a alma de todo opaleiro.

A versão SS. A famosa sigla que estampa os GM americanos desde 1961, fez jus ao seu nome apenas quando o Opala veio nesse ano.

Pois em 2006, a GM tentou relançar a linha SS no mercado brasileiro, com o Astra, Corsa e Meriva, com motores já utilizados em suas versões topo de linha. Apenas com detalhes estéticos, faixas decorativas e opções restritas de cores.

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Além dessa tentativa pífia, a GM americana possui o SS, uma variante do Vauxhall Commodore, ou como conhecemos por aqui o Omega. Esse sim faz jus ao nome, com tração traseira, e um motor de respeito.

Um 6.2 litros V8, vindo do Camaro com impressionantes 421 cavalos e 57,4 kgfm. Mas voltando as joias da coroa, vulgo Opala, a versão apresentada em 1971, utilizava um motor de 4.1 litros, que já era usado pela matriz no Chevy Nova e no seu irmão de motor e transmissão o Impala, desde 1968.

Com bons 140 cavalos – para a época- ele tinha torque bruto de 29 kgfm a 2.400 rpm. Para maior conforto do motorista, o câmbio ficava no assoalho, não mais na coluna de direção como as primeiras versões.

Em 1975, marca o nascimento da perua Caravan, derivada direta do Opel Rekord Caravan, que já existia desde 1965 com inclusive uma variante 4 portas, que curiosamente nunca foi oferecida no mercado nacional.

Embora tenha sido “feita” mediante a transformações caseira, a nossa Caravan veio ao mundo e partiu do mesmo jeito, com apenas opção de duas portas. Mesmo com o significante atraso, a perua veio com o novo visual da linha de 1975. Junto da famosa perua, a GM lança também o Comodoro, uma nova versão de luxo, que vinha para substituir a Gran Luxo. Com um interior luxuoso, o Comodoro usava apliques de Jacarandá no seu interior, meio teto com vinil – para o coupe – e um filete cromado pintado na linha da cintura do modelo.

Em 1980, a versão Comodoro, seria tratada como versão intermediária ate basicamente o final de vida do Opala e Caravan. Foi nessa mesma época que o Opala ganhava mais uma profunda reestilização. Com formas mais retangulares, o modelo já começava a dar sinais de cansaço, uma vez que a nova linguagem visual, já não casava tão bem com as formas arredondadas do Opala.

Seu interior, foi atualizado apenas tempos depois, com novas opções de acabamento, um novo volante e o reposicionamento da alavanca de câmbio. A versão mais cara da linha Opala/Caravan agora se chamava Diplomata, e em 1985, a linha ganhava mais uma atualização forte de estilo. Com novas lanternas e adoção de faróis de milha aos faróis principais. Para 1988, mais uma atualização de estilo, com forte inspiração no irmão menor, o Monza, o modelo ganhava uma sobrevida antes de sua despedia que ocorre em 1992.

Opala 1990 a 1992

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Com sua última reestilização, e prestes a se despedir do mercado nacional, o modelo lançado em 1991, ganhava um novo câmbio de 5 marchas, um novo desenho para o interior, um volante com uma excelente empunhadura, e direção eletrônica.

Na parte mecânica, o Opala passava a oferecer freios a disco nas quatro rodas, um item até então inédito para modelos nacionais produzidos em larga escala. Antes dele, apenas o Alfa Romeo 2300, de 1974 tinha tal acessório, mas como fora descontinuado em 1986, deixou o posto de carro mais seguro para o Opala. Dispunha também de direção assistida – um luxo para a época – além de outros detalhes estéticos.

O baque, viria em 16 de abril de 1992, com o anúncio do encerramento do modelo mais amado do País. Depois de 24 anos de produção, o último modelo de número 1 milhão, um Diplomata automático, saia pela última vez da planta de São Caetano do Sul em São Paulo.

Foram lançados para comemorar a despedida do modelo a série especial chamada Collectors, com apenas 100 unidades fabricadas nas cores Preto Menphis, Vermelho Ciprus e um Azul Milos.

Dentro de cada modelo, vinha uma bela pasta de couro, que continha um relógio, uma caneta, um chaveiro, uma fita VHS com a história do modelo e uma carta assinada por Richard Wagooner e André Beer, Presidente e Vice-Presidente da GM do Brasil à época.

Para se ter uma ideia de o quão importante era o modelo para os entusiastas, assim que fora anunciado a despedida do modelo, opaleiros de todo o Brasil fez uma carreata na frente da Avenida Goiás, sede da planta da GM em São Caetano do Sul.

Poucos modelos obtiveram tanto carisma, e apelo emocional quanto a família Opala, perdendo apenas para um outro ícone, o Volkswagen Fusca.

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Opala – Sucessor, futuro e curiosidades

Com a abertura do mercado nacional para modelos importados, o veterano Opala já não tinha como se adequar a esse admirável mundo novo. Com isso, a GM lança o Omega, com itens e tecnologias até então só vistas em modelos importados.

Dotado de novas tecnologias, motores modernos e um nível de conforto acima da média, o Omega tinha tudo para ser de fato o sucessor natural do Opala. Produzido de 1992 ate 1998, na primeira geração, o Omega ganhou inúmeros prêmios por conta da sua qualidade de construção.

Já em 1999 até 2005, o modelo era importado, o que deixou o modelo mais refinado e consequentemente mais caro. Sua última aparição em 2012, com a versão especial Fittipaldi, o Omega conseguiu sem dúvida ser um sucessor a altura do veterano Opala. Com uma lista generosa de motores e equipamentos durante sua vida, o modelo ainda vive também nos corações do apaixonado por carro.

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Um dos pontos curiosos da história do Opala, não foi só o fato do modelo ter participado de corridas, e ter ganho muitas delas, mas sim de suas variantes que não chegaram a ver a luz do dia.

Um dos modelos mais interessantes, foi a versão picape do modelo. Apresentada a apenas algumas revistas, a versão picape era tida como uma versão nacional do Chevy El Camino ou do Chevelle.

Em 1973, cogitava-se a ideia de existir a primeira picape derivada de um modelo de passeio, com muito luxo e sofisticação. Porém, o modelo acabou por ser apenas um conceito e deixou o posto de primeira picape nacional derivada de carro de passeio para o Fiat 147, lançada em 1978. Houveram ate projetos e boatos que existiria uma versão de 3 portas e hatchback, o que de fato não se tornou verdade.

Nunca um modelo mexeu tanto com o imaginário das pessoas como o Opala fez. Desde sua despedida em 1992, e seu sucessor o Omega, os viciados por carro tentaram inúmeras vezes imaginar como seria um “Novo Opala”.

Para muitos, seria com base no Chevrolet Camaro, que guarda algumas semelhanças estéticas com o Opala, menos na nova geração que tem desenho mais retangular, outros se valem de versões coupe do atual Chevy Impala ou Malibu.

Mesmo sabendo que não haverá uma nova geração, isso não nos impede de sonhar, como na projeção abaixo, na qual, me baseei no Malibu em uma versão coupe e imagino ele com um motor do atual Camaro ZL1 com impressionantes 659 cavalos, vindos do motor V8 de 6.2 litros supercharger, com impressionantes 89,8 kgfm de torque, acoplado a um câmbio automático de 10 marchas.

Ou ainda uma versão mais mansa, com motor 2.0 e 279 cavalos e 40,8 kgfm de torque e dotado de um câmbio manual de seis velocidades. Mas seja qual for as surpresas do destino para um sucessor dele, o Chevrolet Opala ainda vive e pulsa dentro de nossos corações carburados movidos a gasolina.

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