Para driblar custos e crise, VW aposta em exportar elétricos da China aqui para a América do Sul

ceo volkswagen oliver blume
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A Volkswagen está passando por uma mudança estratégica profunda e rápida, e os carros elétricos feitos na China agora são peça central em sua nova fase.

Em meio à guerra de preços no país asiático e à queda drástica nas vendas, a montadora alemã decidiu transformar suas fábricas chinesas em hubs de exportação para regiões emergentes.

A ideia é simples: aproveitar os custos de produção mais baixos da China para abastecer mercados como o Oriente Médio, Sudeste Asiático, África e América do Sul — incluindo o Brasil.

Segundo o CEO Oliver Blume, as tecnologias desenvolvidas por parceiros chineses abriram oportunidades que antes seriam inviáveis partindo da Europa.

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Esse movimento surge no momento em que a Volkswagen tenta conter a perda de participação de mercado na China, onde caiu de mais de 4 milhões de carros vendidos antes da pandemia para cerca de 2,7 milhões em 2025.

A concorrência interna, liderada por marcas como BYD, tornou o mercado extremamente competitivo, forçando a VW a redesenhar sua operação no país.

Parte dessa virada inclui a parceria com a startup chinesa Xpeng, com quem desenvolveu uma nova plataforma eletrônica para atender melhor os gostos locais.

O primeiro modelo com essa arquitetura será o ID.UNYX 07, um sedã elétrico que começa a ser entregue ainda este ano.

No entanto, o preço é fator crítico.

A Volkswagen admite que não pode esperar recuperação nos valores dos veículos, por isso ajustou sua estrutura de custos para lucrar mesmo em um cenário de margens apertadas.

Blume foi enfático ao dizer que quem não conseguir se adaptar ao ritmo da China ficará para trás globalmente.

Essa pressão é ainda maior nas marcas premium do grupo, como a Porsche, cujas vendas despencaram no país asiático — a queda foi de até 80% em pouco tempo, com perspectivas de recuperação praticamente nulas.

A Porsche, que produz apenas na Europa, tem enfrentado ainda obstáculos com tarifas tanto nos EUA quanto na China, o que limita sua competitividade.

Enquanto isso, a Volkswagen pretende lançar 20 novos veículos eletrificados na China apenas em 2026, mesmo que isso não resulte em aumento imediato de vendas.

A meta de longo prazo é clara: sair dos atuais 11% para 15% de participação de mercado até 2030, permanecendo entre as três maiores fabricantes do país.

Mas o plano vai além do mercado chinês.

Com a reorganização logística e a produção concentrada na Ásia, a montadora vê oportunidade de expandir globalmente com carros mais acessíveis e alinhados com a nova realidade elétrica.

Na prática, isso significa que brasileiros e latino-americanos podem começar a ver nas ruas veículos elétricos da Volkswagen projetados e fabricados na China.

Diante da queda na demanda europeia, das tarifas nos EUA e do avanço chinês, a resposta da VW tem sido pragmática: adaptar-se, reduzir custos, cortar empregos e apostar pesado em eletrificação via Ásia.

Com essas mudanças, o futuro da montadora alemã dependerá mais do que nunca do sucesso — ou fracasso — de suas operações na China.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio.


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