
A colaboração entre Volkswagen e Xpeng na China não impediu que as duas empresas se enfrentem em um dos mercados mais competitivos do mundo: a Europa.
A montadora chinesa acaba de lançar no continente o P7+, um sedã elétrico que chega com a missão clara de rivalizar com o Volkswagen ID.7, atual líder de vendas da marca entre os EVs europeus.
Embora já estivesse disponível na China, o P7+ desembarca agora com especificações adaptadas ao público europeu.
A estreia aconteceu no Salão de Bruxelas, e a produção será feita na fábrica da Magna Steyr, em Graz, na Áustria — ou seja, em solo europeu.
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Com visual aerodinâmico e proposta focada em eficiência energética, o sedã da Xpeng adota a mesma fórmula do ID.7, mirando consumidores que valorizam autonomia e recarga rápida.

Mas o grande trunfo do P7+ está no preço.
Na Alemanha, a versão básica do modelo parte de €43.600, o equivalente a cerca de R$ 271 mil.
Já o ID.7 mais acessível começa em €54.105 (R$ 336 mil), uma diferença significativa para quem busca um EV de entrada no segmento médio.
Essa vantagem de preço, no entanto, cobra um preço em autonomia.
O P7+ básico vem com uma bateria de 62 kWh, que oferece alcance de 455 km no ciclo WLTP.

O ID.7, por sua vez, usa um conjunto de 77 kWh, com autonomia declarada de até 619 km.
A versão de longo alcance do P7+, equipada com bateria de 75 kWh, estende a autonomia para 530 km — mas o preço sobe para €49.600 (R$ 308 mil).
Mesmo assim, ainda fica abaixo do topo de linha ID.7 Pro S, que usa 86 kWh e promete até 708 km de autonomia.
Se a autonomia pesa menos, a Xpeng aposta forte no quesito recarga.
Enquanto o ID.7 alcança até 200 kW em carregadores rápidos, o P7+ básico pode atingir 350 kW.
Na versão de maior alcance, o pico chega a impressionantes 446 kW, superando muitos concorrentes de marcas tradicionais.
Segundo Sven De Smet, responsável pela marca na Europa, a ideia é tornar a recarga rápida uma prioridade real para o consumidor.
Ele afirma que baterias menores resultam em menor peso, consumo mais eficiente e melhor dirigibilidade — uma combinação que pode atrair motoristas europeus mais exigentes.
Além disso, a menor massa favorece o desempenho dinâmico, algo valorizado por quem percorre longas distâncias em altas velocidades, como nas autobahns alemãs.
Apesar da disputa acirrada, Xpeng e VW mantêm uma relação estratégica fora da Europa.
A fabricante alemã detém 5% da empresa chinesa, após um investimento de US$ 700 milhões.
Ambas estão desenvolvendo juntas novos EVs para o mercado chinês, e a Volkswagen já planeja adotar o chip Turing e o software VLA 2.0 da Xpeng em futuros modelos.
Ainda assim, a entrada do P7+ no território europeu marca uma mudança de tom: de aliadas em um continente, elas se tornam rivais diretas em outro.
A Volkswagen vendeu 76.368 unidades do ID.7 na Europa no ano passado, ficando atrás apenas do Tesla Model 3 entre os sedãs elétricos.
A missão da Xpeng agora é simples — e ousada: roubar parte desse mercado com um carro mais barato, produzido localmente e com recarga ultrarrápida.
Resta saber se a novidade chinesa terá força suficiente para balançar o domínio alemão dentro de casa.
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