
Se comprar um carro já era uma experiência complicada, agora parece que a maioria das pessoas quer terceirizar essa tarefa — para a inteligência artificial.
De acordo com um levantamento conduzido pela CarGurus em parceria com a NielsenIQ, 80% dos consumidores estão dispostos a usar IA na próxima vez que forem adquirir um veículo.
O estudo entrevistou 3.030 pessoas que compraram ou venderam carros entre maio e junho de 2025, e revelou uma tendência crescente de dependência tecnológica até nos momentos mais tradicionais do consumo.
Mais do que intenção futura, 26% dos entrevistados disseram já ter usado IA em algum momento do processo de compra.
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Entre os usos mais comuns, está a comparação entre veículos (44%), busca por modelos específicos (40%) e resumos de avaliações de veículos (39%).
Outras funções incluem resumo de opiniões sobre concessionárias (36%), simulação de taxas de financiamento (35%) e até dicas de negociação (30%).
Sim, até mesmo o famoso “chorinho” de desconto agora depende de algoritmos e não da lábia do comprador.
A lista ainda inclui interesse por informações sobre garantias (29%), uso de chatbots em sites de concessionárias (24%) e agendamento de visitas (23%).
Para muitos especialistas, esse movimento revela mais do que uma simples conveniência — trata-se de uma transformação no comportamento do consumidor diante da avalanche de informação (e desinformação) online.
O problema, segundo críticos, é que a IA ainda comete erros frequentes, especialmente quando lida com dados técnicos, versões de modelos e condições reais de mercado.
Confiar cegamente nas respostas de uma IA pode acabar levando o comprador a decisões ruins, especialmente se os dados estiverem desatualizados ou mal interpretados.
A frustração de alguns profissionais do setor também é evidente: a dificuldade em comparar especificações ou interpretar avaliações virou, para muitos consumidores, uma barreira que só um robô pode resolver.
Mas a questão que se impõe é: será que essa dependência de IA está ajudando a empoderar o consumidor ou apenas infantilizando o processo de decisão?
Em vez de pesquisar com calma, visitar lojas e conversar com pessoas, uma parcela crescente prefere confiar em algoritmos — mesmo sabendo que eles nem sempre acertam.
A compra de um carro, que deveria ser uma decisão racional e pessoal, corre o risco de se tornar mais uma tarefa automatizada, onde o próprio comprador abre mão da responsabilidade.
Num cenário onde até um simples agendamento exige ajuda da IA, a dúvida que fica é: será que ainda sabemos comprar um carro sem assistência digital?
Para alguns, a resposta já é “não” — e isso, mais do que a evolução da tecnologia, talvez diga algo perturbador sobre nós mesmos.
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