
A discussão sobre o uso de câmeras de trânsito coloca em xeque não apenas a segurança viária, mas também a saúde financeira de uma cidade.
A proposta de eliminar radares de velocidade, sinal vermelho e parada obrigatória em Washington D.C. ganhou força neste início de ano, com apoio de motoristas cansados das multas pesadas.
Mas a prefeita Muriel Bowser se posicionou contra a ideia, e os motivos vão muito além da segurança nas ruas. Atualmente, a capital americana conta com 547 câmeras automáticas espalhadas por seu território urbano.
Somente em 2023, esses dispositivos arrecadaram impressionantes US$ 267,3 milhões — aproximadamente R$ 1,41 bilhão.
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De forma ainda mais surpreendente, apenas 10 câmeras foram responsáveis por quase 25% desse valor total.
Um único radar instalado na Potomac River Freeway emitiu multas que somaram US$ 9,1 milhões, o equivalente a R$ 48,2 milhões, em apenas 12 meses.
Outro ponto de fiscalização, localizado na DC295 sentido leste, gerou R$ 44,6 milhões em autuações no mesmo período.
No bairro de Kenilworth Avenue NE, uma câmera rendeu mais de R$ 40 milhões aos cofres da cidade.
Diferentemente de outras cidades americanas, os radares em D.C. só multam motoristas que ultrapassam em pelo menos 16 km/h o limite permitido.
Ou seja, não se trata de pequenas infrações, mas de excessos considerados perigosos.
Em 2024, uma mudança promovida pela Procuradoria-Geral local endureceu ainda mais o cerco: agora, o governo pode abrir processos civis contra quem acumula multas não pagas, mesmo que o infrator more fora da cidade.
Do ponto de vista da segurança, a prefeita defende que os números não mentem: as mortes no trânsito caíram 52% no ano passado.
Porém, a principal preocupação da prefeitura é o impacto orçamentário que a extinção dessas câmeras pode causar.
Estima-se que a medida poderia abrir um rombo de R$ 5,3 bilhões no orçamento de D.C. ao longo dos próximos quatro anos.
Por outro lado, a iniciativa de retirar os radares tem apoio de parlamentares como o deputado Scott Perry.
Para ele, os equipamentos são uma forma velada de arrecadação e não contribuem efetivamente para a segurança nas ruas.
Segundo Perry, o sistema “explora os cidadãos sem representatividade ou devido processo legal”.
Esse embate entre arrecadação e segurança deve se intensificar nos próximos meses, colocando em lados opostos interesses financeiros e direitos dos motoristas.
Enquanto isso, a cidade segue faturando alto com infrações, e o futuro dos radares em Washington permanece incerto.
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