
A Polônia estuda proibir a entrada de carros fabricados na China em instalações militares, citando preocupações com a segurança nacional.
A medida está sendo avaliada pelo Ministério da Defesa, que analisa os riscos associados ao uso de veículos “altamente equipados com eletrônicos” perto de áreas sensíveis.
A informação foi confirmada pelo vice-ministro da Defesa, Cezary Tomczyk, em entrevista à emissora Polskie Radio 24.
Ele afirmou que as discussões entre órgãos de segurança estão em andamento, mas não revelou quando uma decisão final será tomada.
Veja também
Tomczyk destacou que detalhes adicionais podem permanecer em sigilo, por envolverem questões estratégicas de defesa.
A preocupação ganhou força após a divulgação de um relatório do Center for Eastern Studies, um centro de pesquisa baseado em Varsóvia, que alertou sobre o potencial de espionagem embutido em sensores, câmeras e sistemas eletrônicos desses veículos.
A venda de carros chineses tem crescido rapidamente no país.
Segundo dados da Associação da Indústria Automotiva da Polônia (PZPM), as marcas chinesas saltaram de 2% de participação no mercado em 2024 para 8,2% em 2025.
A expectativa é que esse número chegue a 15% nos próximos meses, impulsionado por preços competitivos e ampla oferta de modelos.
Entre os principais representantes estão a SAIC com a marca MG, a Chery e a BYD, que vêm conquistando espaço tanto entre consumidores quanto em frotas de empresas.
Apesar disso, as autoridades polonesas temem que os dispositivos embarcados nesses carros possam ser usados para coleta de informações em locais sensíveis, especialmente próximos a instalações militares.
Questionado sobre o risco de vigilância, Tomczyk foi direto: “Não é uma possibilidade que devemos considerar — é um fato.”
A declaração reforça o tom de urgência do debate e indica que o governo pode anunciar restrições em breve.
O caso polonês não é isolado: em 2025, as Forças Armadas de Israel já haviam imposto restrições semelhantes a veículos fabricados na China.
Na ocasião, o motivo foi o temor de vazamento de informações coletadas por sistemas integrados de navegação e câmeras inteligentes.
A China, por sua vez, reagiu com cautela.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Guo Jiakun, disse que o governo chinês tomou conhecimento das reportagens e defendeu que “segurança nacional não deve ser usada de forma excessiva”.
A possível decisão da Polônia ocorre em um contexto delicado, já que o país mantém relações comerciais com Pequim, mas também acusa a Rússia de promover ataques híbridos em seu território desde o início da guerra na Ucrânia.
Diante da pressão geopolítica, o crescimento acelerado dos veículos chineses levanta dúvidas sobre os limites entre economia e segurança estratégica na Europa.
📨 Receba um email com as principais Notícias Automotivas do diaReceber emails
📲 Receba as notícias do Notícias Automotivas em tempo real!Canal do WhatsAppCanal do Telegram
Siga nosso site no Google Notícias










