Porsche e Mercedes finalmente aprendem que o sonho dos elétricos de luxo está derretendo

porsche taycan turbo s 2024 avaliação na (13)
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A Porsche deu mais um passo atrás na sua estratégia de eletrificação total.

A marca alemã, que até pouco tempo prometia margens maiores com veículos elétricos, suspendeu o lançamento de um novo SUV elétrico de luxo e adiou outros modelos a bateria.

No lugar disso, pretende manter por mais tempo versões híbridas e a combustão de modelos como o Cayenne e o Panamera.

A mudança de direção não é exclusiva da Porsche, segundo reportagem da Bloomberg.

Diversas marcas premium estão enfrentando dificuldades para convencer seus clientes mais ricos a abandonar os motores tradicionais em favor de opções elétricas — mesmo após investimentos bilionários no desenvolvimento de novas plataformas.

porsche taycan turbo s 2024 avaliação na (15)
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Na prática, o entusiasmo dos consumidores não acompanhou o otimismo das fabricantes.

O Taycan, primeiro elétrico da Porsche, chegou a superar o lendário 911 em vendas em 2021. Mas problemas com alcance de bateria, falhas de software e queda acentuada no valor de revenda fizeram a demanda despencar.

Hoje, o retorno financeiro da linha elétrica da Porsche está muito abaixo do esperado, com margem projetada de apenas 2% para este ano — distante dos mais de 20% prometidos no IPO da empresa, em 2022.

O caso da Porsche se repete em outras marcas. A Mercedes-Benz enfrenta vendas fracas do EQS, seu sedã elétrico de mais de 110 mil euros.

mb eqs 53 4matic 3
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Já a Audi vê sua participação encolher na China, onde rivais locais como BYD e Xiaomi oferecem EVs completos por preços mais agressivos.

Até a Maserati cancelou o desenvolvimento de um superesportivo elétrico, citando ausência de mercado real para o produto.

Entre os motivos para esse cenário, estão a infraestrutura de recarga ainda limitada, problemas com softwares em modelos iniciais e a falta de apelo emocional dos elétricos.

“Muitos clientes ainda são apaixonados por motores V8 ou V12. O som e a personalidade desses carros fazem parte da experiência”, explicou Tom Jaconelli, diretor da revenda britânica Romans International.

No segmento premium, a BMW tem se saído melhor. Com uma estratégia flexível, produzindo modelos a combustão, híbridos e elétricos na mesma linha, a empresa conseguiu ampliar as entregas de EVs em 16% no primeiro semestre.

mb eqs suv 2
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Mesmo assim, a própria BMW precisou aplicar descontos em seus modelos topo de linha elétricos na Europa, enquanto vê a demanda por versões elétricas do Série 5, X5 e Série 7 cair na China.

Para tentar contornar a crise, montadoras voltaram a investir em modelos com motores térmicos, híbridos plug-in e até versões exclusivas a combustão de alto valor agregado.

A Ferrari, por exemplo, prepara seu primeiro modelo 100% elétrico, mas com promessa de manter as emoções típicas da marca italiana.

Analistas apontam que o verdadeiro desafio das montadoras não está apenas em entregar bons elétricos, mas em torná-los emocionantes.

“Na era elétrica, tudo começa a parecer igual. O desafio agora é criar desejo”, resume Sam Livingstone, consultor da Car Design Research, no Reino Unido.

Pelo visto, ainda há um longo caminho até que o luxo elétrico se torne irresistível.

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Escrito por

Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio. Sua rede social: Facebook

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