
Quando a marca que sempre imprimiu lucro vira peso dentro do próprio grupo, o sinal é de alerta máximo, e a Porsche decidiu mudar o roteiro sem delicadeza.
Michael Leiters, ex-chefe da McLaren e executivo da Ferrari, assumiu a Porsche em janeiro e prometeu agir “ainda mais decisivamente” para enxugar uma estrutura que, segundo ele, inchou demais.
Falando a investidores, Leiters afirmou que a organização cresceu de forma desproporcional ao negócio e que o corte planejado até aqui não será suficiente nas novas condições.
A guinada passa por parar de correr atrás de volume e voltar a priorizar margens, com mais foco em modelos a gasolina e ampliação do portfólio em faixas ainda mais caras.
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Em um slide da apresentação, apareceu a indicação de um SUV de segmento maior, acima do que a Porsche vende hoje, e também a silhueta de um supercarro.
A leitura do novo CEO é que essa escalada abre espaço para mais receita com personalização, repetindo uma cartilha que deu muito certo na Ferrari e em outras grifes.
Leiters disse que a demanda por motores a combustão ainda oferece potencial, enquanto o mercado de EVs virou uma disputa de preço “intensa” que a Porsche não pretende seguir.
O tamanho do tombo explica o tom: o lucro operacional despencou 92,7% e ficou em €400mn (R$ 2.395.480.000) depois de um impacto total de €3.9bn (R$ 23.355.930.000).
Esse rombo foi atribuído a custos de tarifas dos EUA e a cobranças pontuais ligadas ao desmonte parcial da estratégia de EVs, com reinvestimento em modelos a gasolina.
O diretor financeiro Jochen Breckner disse que novas medidas de reestruturação devem gerar despesas adicionais, também pontuais, de €800mn a €900mn (R$ 4.790.960.000 a R$ 5.389.830.000) neste ano.
A Porsche negocia com sindicatos um novo programa de redução de custos, além do plano já anunciado para cortar 3.900 postos até o fim da década.
Leiters resumiu o destino do organograma com uma frase direta: a Porsche será “mais compacta” do que é hoje, porque a estrutura atual não cabe no cenário.
O baque também atingiu o Volkswagen Group, que apresentou seus resultados anuais e viu a Porsche, normalmente motor de lucro, render menos que marcas de massa.
A Volkswagen, em reestruturação ampla, reforçou que precisa reduzir custos com rigor e planeja 50.000 cortes até 2030 nas fábricas na Alemanha, onde produzir é mais caro.
Para 2026, a Porsche prevê margem operacional entre 5,5% e 7,5%, abaixo da estimativa de analistas de 7,8%, após fechar 2025 em 1,1% contra 14% em 2024.
As dificuldades na China pesaram, com queda de 26% nas vendas no ano passado, e a empresa ainda alertou que a guerra no Oriente Médio pode prejudicar cadeias de suprimento e demanda.
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