
Com o avanço acelerado dos carros elétricos na China, o ambiente digital do setor automotivo virou palco de uma guerra invisível.
Ataques coordenados, desinformação e difamação vêm sendo usados como armas para prejudicar fabricantes, influenciadores e até consumidores comuns.
A mídia estatal chinesa revelou que campanhas organizadas estão mirando o setor de veículos elétricos (EVs), usando inteligência artificial para disseminar boatos e distorcer a percepção pública antes mesmo do lançamento de novos modelos.
As investigações mostraram que comentaristas automotivos com grande alcance nas redes sociais participaram ativamente desse cenário, divulgando informações enganosas para comprometer a reputação de determinadas marcas.
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Em casos mais graves, alguns foram processados e condenados a pagar indenizações.
Um desses influenciadores, com centenas de milhares de seguidores, foi obrigado pela Justiça a se retratar publicamente e pagar cerca de R$ 1,8 milhão por danos morais — valor equivalente a 2 milhões de yuans.
Já em outro caso, um blogueiro acusado de mentir sobre o consumo do Denza B5 teve que indenizar a BYD em aproximadamente R$ 1,9 milhão.
Essas ações digitais não se limitam às disputas entre empresas concorrentes.
Consumidores também foram alvos de ofensas e perseguições simplesmente por escolherem determinadas marcas de EVs, o que escancara o impacto social dessas manipulações.
Segundo a CCTV, há provas de que contas falsas e bots foram usados para publicar milhares de mensagens negativas antes de eventos importantes da indústria, como lançamentos e feiras automotivas.
Muitas dessas postagens simulavam resenhas imparciais, mas tinham o objetivo claro de sabotar marcas específicas.
Curiosamente, alguns influenciadores chegaram a cobrar mais caro por publicações negativas do que por campanhas promocionais convencionais.
Isso indica um mercado paralelo de “antipropaganda”, no qual empresas podem pagar para atacar a imagem dos rivais.
A própria mídia estatal reconheceu que certas montadoras também se envolveram nessas estratégias, divulgando conteúdos difamatórios pelas redes sociais com o objetivo de descredibilizar concorrentes.
Executivos chegaram a participar ativamente dessas disputas digitais, influenciando o debate público.
Nos bastidores, as autoridades intensificaram a fiscalização.
Órgãos como a Administração do Ciberespaço da China afirmam ter recebido dezenas de milhares de denúncias corporativas, levando ao bloqueio de contas e remoção de volumes massivos de conteúdo falso.
Campanhas conjuntas entre agências governamentais estão em curso para coibir propaganda enganosa, manipulação de opinião e difamação virtual, exigindo que empresas e plataformas revejam seus processos e colaborem com as investigações.
Esse movimento acontece em um momento estratégico: em 2025, os EVs ultrapassaram a marca de 16 milhões de unidades produzidas e vendidas no país, representando mais da metade das vendas de veículos novos no mercado doméstico.
O governo chinês já sinalizou que continuará ampliando as ações regulatórias para proteger a reputação das marcas, garantir um ambiente competitivo mais justo e conter os danos provocados pela desinformação digital.
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