
O otimismo que marcou a transição elétrica da indústria automotiva norte-americana começa a cobrar um preço alto — e a General Motors está entre as primeiras a sentir o impacto.
A fabricante de Detroit anunciou que terá um prejuízo extraordinário de aproximadamente R$ 38 bilhões em seu balanço trimestral, reflexo direto do recuo estratégico nos investimentos em EVs.
Desse valor, cerca de R$ 32 bilhões estão ligados ao abandono de projetos relacionados à eletrificação, após mudanças no cenário regulatório e político dos Estados Unidos.
O restante, equivalente a R$ 5,9 bilhões, envolve reestruturações na operação chinesa da montadora, incluindo custos com joint ventures e provisões jurídicas.
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Nos bastidores, a decisão reflete uma guinada drástica na política ambiental norte-americana, especialmente após o avanço de medidas contrárias aos incentivos verdes promovidas por Donald Trump.
A GM já havia sinalizado dificuldades no trimestre anterior, quando registrou um prejuízo de R$ 8,6 bilhões relacionado ao mesmo problema: a desaceleração da agenda elétrica.
A reavaliação da estratégia vem após anos de promessas ambiciosas lideradas pela CEO Mary Barra, que havia estabelecido a meta de eliminar emissões em carros e picapes até 2035.
Durante a gestão de Joe Biden, a GM acelerou sua transição para os EVs, embalada por subsídios e metas ambientais rigorosas.
Mas com a reversão dessas políticas e o fim de incentivos fiscais ao consumidor, a demanda por veículos elétricos caiu de forma expressiva no mercado norte-americano a partir de 2025.
Segundo a própria montadora, a mudança nos hábitos de consumo foi sentida em toda a indústria, forçando um corte proativo na capacidade de produção de EVs.
Além dos problemas domésticos, a GM também enfrenta desafios no cenário internacional, especialmente na China, onde reorganiza sua participação na joint venture com a SAIC.
A empresa ainda não detalhou quais modelos ou fábricas serão afetados diretamente, mas o impacto no planejamento estratégico já é evidente.
O anúncio ocorre semanas depois de a Ford também divulgar uma baixa contábil de cerca de R$ 105 bilhões pelos mesmos motivos.
A reviravolta mostra como a aposta em veículos elétricos, antes vista como inevitável, agora caminha com mais cautela e depende fortemente do apoio político.
Para o mercado, o movimento da GM indica um possível efeito dominó, com outras montadoras revendo suas metas diante do novo cenário.
Embora ainda defenda os EVs como parte essencial de seu futuro, a GM deixa claro que, neste momento, a prioridade é adaptar-se à realidade — por mais custosa que ela seja.
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