
A relação econômica entre China e Coreia do Sul passa por uma transformação profunda, refletindo uma mudança de papéis que o presidente sul-coreano Lee Jae-myung reconheceu publicamente.
Em entrevista à estatal China Media Group, antes de uma visita oficial a Pequim, Lee afirmou que a China já alcançou ou até superou a Coreia do Sul em tecnologia e capital em diversos setores estratégicos.
Segundo o presidente, a antiga estrutura vertical da cooperação bilateral — com os sul-coreanos fornecendo tecnologia avançada e capital, enquanto os chineses contribuíam com mão de obra — já não reflete a realidade atual.
Lee defendeu que o futuro da parceria deve ser horizontal, mais equilibrado, com foco em setores de ponta como inteligência artificial e indústrias de alta tecnologia, cada vez mais integrados à produção automotiva e ao desenvolvimento de software veicular.
Veja também
A mudança de dinâmica é visível no setor automotivo.
A China se tornou a maior produtora e exportadora global de veículos eletrificados, enquanto a Coreia do Sul mantém presença relevante na fabricação de automóveis, eletrônica de potência e cadeias globais de baterias.
Enquanto fabricantes chineses ampliam suas exportações e penetram em novos mercados, montadoras sul-coreanas ainda dependem da China tanto para produção quanto para venda de veículos e componentes.
A cadeia de fornecimento de baterias é um ponto central dessa relação de competição e interdependência.
Empresas chinesas dominam a produção global de baterias de fosfato de ferro e lítio e controlam etapas cruciais do refino de matérias-primas como lítio, cobalto e grafite.
Por outro lado, empresas da Coreia do Sul ainda são líderes na fabricação de baterias de íons de lítio do tipo NCM, amplamente utilizadas por montadoras globais, incluindo o Hyundai Motor Group.
No entanto, a pressão sobre essas empresas cresce com a ascensão de alternativas chinesas mais baratas, impulsionada pela rápida expansão do mercado de veículos elétricos.
Outra frente de competição envolve software veicular e sistemas de condução inteligente. Fabricantes chineses têm acelerado o uso de assistentes avançados de direção, sistemas operacionais embarcados e funções baseadas em IA em modelos populares.
A indústria sul-coreana, por sua vez, responde com maior investimento em veículos definidos por software, pesquisa em direção autônoma e integração de inteligência artificial, numa corrida para manter a competitividade global.
Dados comerciais recentes indicam um aumento nas exportações de veículos chineses para o mercado sul-coreano, ao mesmo tempo em que fornecedores coreanos de autopeças sofrem pressão crescente de concorrentes chineses em áreas como motores elétricos, eletrônica veicular e insumos para baterias.
Apesar disso, as montadoras da Coreia do Sul seguem investindo pesado em pesquisa e desenvolvimento para avançar na eletrificação e na digitalização dos veículos, buscando subir na cadeia de valor.
Durante a visita, Lee deve se reunir com autoridades e empresários chineses, liderando uma comitiva com cerca de 200 representantes da indústria sul-coreana.
As discussões devem incluir acordos para cooperação em manufatura avançada, com destaque para os setores automotivo e de novas energias.
O encontro ocorre num momento em que os dois países revisam suas estratégias industriais em meio a uma competição acirrada por protagonismo tecnológico nos segmentos de veículos elétricos, baterias e inteligência automotiva.
📨 Receba um email com as principais Notícias Automotivas do diaReceber emails
📲 Receba as notícias do Notícias Automotivas em tempo real!Canal do WhatsAppCanal do Telegram
Siga nosso site no Google Notícias










