Presidente do Banco Central da Alemanha alerta Europa: é hora de traçar limites contra a China e proteger indústrias-chave

europa uniao europeia (1)
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A Europa precisa agir com mais firmeza para proteger suas indústrias estratégicas da crescente pressão vinda da China, segundo o presidente do Bundesbank, Joachim Nagel.

Em entrevista ao jornal alemão Tagesspiegel, Nagel defendeu que o continente trace “linhas vermelhas” claras nas relações econômicas com Pequim.

Para ele, embora a China continue sendo um mercado atrativo para exportadores europeus e uma fonte importante de bens de consumo, não se pode mais agir com ingenuidade, especialmente em setores como o automotivo.

“Antes que uma das nossas indústrias centrais seja vítima de políticas industriais agressivas, precisamos protegê-la de forma mais eficaz”, afirmou o também membro do Conselho do Banco Central Europeu.

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O alerta vem em meio a um cenário geopolítico cada vez mais tenso, marcado por medidas unilaterais adotadas por Pequim no ano passado, como a restrição na exportação de ímãs de terras raras — insumos críticos para baterias de veículos elétricos e equipamentos de defesa.

Para Nagel, episódios como esse escancaram a vulnerabilidade europeia diante da dependência externa em cadeias produtivas estratégicas.

Outro ponto citado pelo presidente do Bundesbank foi a recente ameaça do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, de impor novas tarifas sobre países europeus — medida posteriormente retirada.

Segundo ele, esse tipo de instabilidade comercial mostra a urgência de fortalecer a base econômica do continente.

Apesar das incertezas globais, Nagel rejeita o pessimismo exagerado sobre o desempenho da economia alemã.

“Não devemos falar mal da Alemanha desnecessariamente”, declarou, acrescentando que muitos críticos não levam em conta que algumas medidas governamentais levam tempo para surtir efeito.

Ele elogiou os planos da coalizão governista para investir em infraestrutura, defesa e digitalização, mas alertou que a execução será o verdadeiro teste de credibilidade do governo.

“Agora, o que importa é colocar tudo em prática. É por isso que o governo federal será julgado”, reforçou.

Em relação ao acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, que teve sua ratificação adiada pelo Parlamento Europeu, Nagel classificou o impasse como um “revés”, mas demonstrou otimismo.

“Tenho certeza de que o Mercosul vai acontecer. Mesmo uma implementação parcial provisória já seria um passo importante”, afirmou.

Quando questionado sobre uma possível candidatura à presidência do Banco Central Europeu após o mandato de Christine Lagarde, Nagel evitou se comprometer, mas deixou a porta aberta.

“Essa questão não está em discussão no momento. Mas, em princípio, todos os membros do Conselho do BCE deveriam ser elegíveis.”

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio.


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