
A transição para os veículos elétricos, antes vista como solução inevitável para a mobilidade, agora expõe uma fragilidade preocupante no setor automotivo do continente europeu.
Com a demanda em ritmo muito inferior ao esperado e metas ambientais se aproximando, líderes da indústria temem um colapso estrutural.
Durante evento recente que marcou a produção do novo Fiat 500 híbrido, o presidente do conselho da Stellantis, John Elkann, declarou que a indústria precisa de mais tempo para se adaptar às regras ambientais da União Europeia.
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Ele defendeu alternativas como híbridos plug-in, EVs de autonomia estendida e combustíveis alternativos, mesmo após o prazo de 2035, quando deverá entrar em vigor a proibição de novos carros a gasolina e diesel no bloco.

Segundo Elkann, insistir nas metas atuais pode empurrar a indústria para um “declínio irreversível”.
O alerta vem em um momento de forte desaceleração do mercado europeu, com previsões de vendas em 2024 cerca de 3 milhões de unidades abaixo dos níveis de 2019.
Mesmo em meio a uma revolução tecnológica, os emplacamentos seguem fracos, enquanto a concorrência de elétricos chineses de baixo custo pressiona ainda mais os fabricantes locais.
Dentro da própria Stellantis, os desafios também são internos.

A saída de Carlos Tavares do comando da companhia abriu espaço para Antonio Filosa, ainda em fase de adaptação no cargo.
Enquanto isso, Elkann se vê forçado a assumir protagonismo político e industrial em plena crise, enfrentando pressões de governos na França, Itália e Estados Unidos.
A empresa, resultado da fusão entre Fiat, Chrysler e o Grupo PSA, tenta equilibrar investimentos em eletrificação com a manutenção de seus produtos mais lucrativos, como picapes e SUVs a combustão no mercado americano.
O problema, no entanto, atinge toda a indústria.
A Europa apostou nos EVs como resposta ao escândalo do Dieselgate, esperando que a eletrificação substituísse rapidamente o diesel como principal tecnologia de motorização.
Mas a realidade se impôs: o custo elevado dos elétricos e a infraestrutura de recarga ainda limitada afastam parte dos consumidores.
Além disso, o plano europeu de impor tarifas aos EVs chineses não impediu a chegada de carros a combustão vindos da China, especialmente para mercados vulneráveis como Itália e Espanha.
Com isso, as montadoras locais correm o risco de perder terreno tanto nos elétricos quanto nos tradicionais, por não conseguirem manter o investimento nas duas frentes.
O prazo de 2035, que parecia generoso anos atrás, agora soa impraticável.
Os fabricantes dizem que o cronograma não condiz com a realidade industrial e pode comprometer empregos e produção em massa.
De fato, o setor automotivo europeu emprega cerca de 13,8 milhões de pessoas e representa 7% do PIB do continente.
As incertezas chegam em meio a uma revisão das metas de emissões prevista para dezembro, o que torna ainda mais estratégica a pressão de Elkann por mudanças.
Enquanto isso, o futuro da mobilidade na Europa segue pendurado entre promessas sustentáveis e uma dura realidade econômica.
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