
O mercado deu um duro recado à Volvo Cars: o otimismo com a eletrificação não basta diante de lucros em queda livre e pressões globais.
As ações da montadora sueca despencaram 22,5% na quinta-feira, marcando o pior desempenho em um único dia desde sua estreia na bolsa.
A empresa, controlada pela chinesa Geely Holding, registrou uma queda de 68% no lucro operacional do quarto trimestre de 2025.
O resultado foi de 1,8 bilhão de coroas suecas, cerca de R$ 1,07 bilhão, excluindo itens extraordinários.
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As causas do tombo incluem tarifas impostas pelos EUA, desvalorização cambial e uma demanda global abaixo do esperado, especialmente na China.
Segundo o CEO Hakan Samuelsson, a concorrência no mercado chinês está “extremamente acirrada” e afeta todas as montadoras europeias.
Ele também apontou o fim dos incentivos para EVs nos EUA e na China como um agravante relevante para a desaceleração nas vendas.
Apesar do cenário externo difícil, o executivo destacou que a Volvo conseguiu cortar custos e manter fluxo de caixa positivo ao longo do ano.
O otimismo, porém, não foi suficiente para conter a reação negativa dos investidores, que chegaram a derrubar as ações em mais de 28% ao longo do dia.
A última queda significativa havia sido de 11,1%, o que mostra a gravidade da reação atual.
Analistas do UBS projetam revisões negativas entre 10% e 15% nas estimativas de lucro operacional da Volvo para 2026 — ou até mais, já que a margem ficou próxima de zero no último trimestre.
A Volvo é uma das fabricantes europeias mais vulneráveis às tarifas norte-americanas, fato que foi agravado com o novo acordo comercial entre EUA e União Europeia.
O pacto reduziu as tarifas sobre o setor automotivo europeu de 27,5% para 15%, mas ainda assim impôs custos adicionais relevantes para as montadoras.
Grupos da indústria chegaram a receber o acordo com cautela, mas agora expressam preocupação com o impacto financeiro da medida.
Para 2026, a Volvo espera começar a intensificar as entregas do EX60, SUV elétrico de porte médio que deve chegar ao mercado no segundo semestre.
No entanto, a empresa alerta que o próximo ano seguirá difícil, com pressão sobre os preços, incertezas regulatórias e consumidores cada vez mais cautelosos.
Em meio à eletrificação em curso, margens comprimidas e volatilidade global, o desafio da Volvo será manter a confiança de acionistas e recuperar competitividade.
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