
A Nissan acaba de registrar um marco negativo em sua trajetória global: pela primeira vez em 16 anos, a montadora japonesa ficou fora do ranking das dez marcas de automóveis mais vendidas do mundo.
De acordo com o jornal Nikkei Asia, a fabricante vendeu 1,61 milhão de veículos no primeiro semestre de 2025 — número insuficiente para mantê-la entre os gigantes da indústria, algo que não acontecia desde 2009.
O golpe final veio da rival conterrânea Suzuki, que apesar de não atuar no competitivo mercado dos Estados Unidos, aproveitou sua força na Índia e no Japão para emplacar 1,63 milhão de unidades, ultrapassando a Nissan por uma margem mínima, mas simbólica.
Foi a primeira vez em mais de duas décadas que a Suzuki superou a concorrente histórica.
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A queda da Nissan não se limitou ao ranking global. Em mercados-chave como China, Japão e EUA, as vendas caíram significativamente, refletindo uma retração de 5,7% em relação ao mesmo período do ano passado.
A situação na Austrália também foi crítica: a empresa vendeu 20.604 carros no primeiro semestre, uma queda de 17,3%, ficando atrás de marcas como MG, GWM, BYD e até Isuzu Ute.
A pressão financeira se intensificou. A montadora registrou um prejuízo de 15,7 bilhões de ienes (cerca de US$ 1,63 bilhão) entre abril e junho, seu quarto trimestre consecutivo no vermelho.
O impacto foi tão grave que levou ao fechamento de seis fábricas, à demissão de 11 mil funcionários e ao adiamento de diversos lançamentos estratégicos.
O novo CEO Ivan Espinosa, que assumiu o cargo em abril substituindo Makoto Uchida, herda uma empresa em franca retração, que tenta reavaliar seu papel em uma indústria cada vez mais dominada por fabricantes chinesas.

Uma delas é a BYD, que vendeu 2,14 milhões de carros no mesmo período, e SAIC, dona da MG, com 2,05 milhões de unidades. Ambas passaram longe da crise que afeta a Nissan.
Nos Estados Unidos, a Nissan também sofreu com o novo pacote de tarifas de importação e peças, implementado em abril de 2025.
A instabilidade no mercado americano, somada ao aumento dos custos operacionais e à concorrência feroz dos elétricos chineses, agravou ainda mais a situação da montadora japonesa.
Mesmo os três gigantes americanos — GM, Ford e Stellantis — reportaram perdas no segundo trimestre, o que mostra que a crise não é exclusiva da Nissan.
Mas o fato de a marca ter saído do top 10 global pela primeira vez em 16 anos é um sinal claro de que a empresa precisa de mudanças urgentes e profundas para evitar um colapso ainda maior.
A Nissan já não está apenas “em desaceleração”. Está em queda livre — e, até agora, ninguém conseguiu encontrar o freio.
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