
A indústria automotiva de luxo entrou em alerta após a Porsche registrar sua maior queda de entregas em 16 anos, revelando fragilidades graves diante da eletrificação acelerada e da concorrência asiática.
Em 2025, a marca alemã entregou 279.449 veículos no mundo, o que representa uma retração de 10% em relação ao ano anterior.
A China, que por anos sustentou o crescimento da Porsche, virou um mercado hostil: as vendas caíram 26% no país.
A desaceleração econômica chinesa, combinada com a crise imobiliária prolongada, reduziu drasticamente o apetite do consumidor por marcas de luxo.
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Ao mesmo tempo, fabricantes locais como BYD, Xiaomi e Huawei avançam sobre o público premium, com EVs sofisticados, boa autonomia e softwares de ponta.
Esse movimento não impacta apenas a Porsche: BMW e Mercedes-Benz também enfrentam dificuldades similares no maior mercado automotivo do planeta.
A Alemanha, terra natal da montadora, também registrou queda nas entregas, pressionada por lacunas na oferta de modelos a combustão como o 718 e o Macan.
Esses dois modelos precisaram ter sua produção encerrada por não atenderem novas regras de cibersegurança impostas pela União Europeia.
No mercado europeu, essas ausências impactaram diretamente os números de vendas, agravando ainda mais o cenário negativo.
Enquanto isso, os Estados Unidos assumiram o posto de principal destino dos veículos da marca, superando a China, mas também com desafios.
O país tem aplicado tarifas que pressionam os lucros da empresa, além de não absorver a oferta de EVs como se esperava.
O Taycan, primeiro modelo 100% elétrico da Porsche, viu sua demanda global cair 22% em 2025.
Além da baixa procura, o valor de revenda do Taycan decepcionou, ficando abaixo dos modelos a combustão, o que gerou mais resistência do consumidor.
A Porsche já admitiu que seu plano de eletrificação foi precipitado e, agora, revê sua estratégia de forma drástica.
O ajuste vai custar caro: a empresa projeta um impacto negativo de até R$ 11,2 bilhões no lucro operacional de 2025.
As ações da Porsche já refletem esse cenário sombrio, com queda de mais de 30% no acumulado de um ano e exclusão do índice DAX da bolsa de Frankfurt.
A empresa foi obrigada a revisar suas projeções quatro vezes no ano passado, e agora tenta recuperar a confiança do mercado.
Para liderar essa virada, Michael Leiters, ex-McLaren, assumiu o cargo de CEO em janeiro, encerrando o acúmulo de funções do chefão da Volkswagen, Oliver Blume.
Leiters traz no currículo a experiência com modelos híbridos, inclusive durante sua passagem anterior pela própria Porsche.
Ele terá a missão de negociar cortes adicionais com os sindicatos em 2026, em busca de redução de custos estruturais.
O diretor financeiro Jochen Breckner já adiantou que 2025 será o fundo do poço, mas que a meta é retomar margens de dois dígitos a partir de 2026.
A travessia, no entanto, será longa e exigirá mais do que apenas ajustes de linha de produção: será preciso reconquistar o consumidor global.
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