Recuo dos Estados Unidos nos EVs aumenta ainda mais o controle total da China nos mercados internacionais

montadoras china podem fechar
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O que começou como uma aposta promissora nos veículos elétricos nos EUA agora ameaça se transformar em uma crise sem precedentes para a indústria automotiva norte-americana.

Enquanto montadoras como GM, Ford e Stellantis recuam em seus planos de eletrificação, marcas chinesas como BYD e Geely avançam com velocidade, inovação e apoio estatal.

A Stellantis revelou um prejuízo de R$ 160 bilhões após admitir que errou ao superestimar a velocidade da transição energética, puxando suas ações para baixo em mais de 20%.

A General Motors e a Ford também anunciaram baixas contábeis que somam também R$ 160 bilhões, ao abandonarem ou reduzirem projetos de EVs diante da demanda fraca e do fim de incentivos fiscais.

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Mesmo a Tesla, pioneira do segmento, perdeu a liderança global para a chinesa BYD e agora foca em robôs humanoides, encerrando a produção dos Model S e X para liberar espaço na fábrica.

Elon Musk admitiu que a verdadeira competição para sua empresa agora vem da China, afirmando que “os chineses são imparáveis” se não houver barreiras comerciais.

Enquanto isso, o mercado chinês segue em expansão: em 2025, as vendas de EVs no país saltaram de 572 mil unidades em 2020 para quase 5 milhões — um crescimento de quase 800%.

Fora da China, o salto foi ainda mais impressionante: 1.300% de aumento em cinco anos, consolidando a presença chinesa em regiões como Europa, América do Sul, Índia e até Canadá.

Com tarifas de 100% impostas pelos EUA sobre EVs chineses, os fabricantes do país asiático redirecionaram seus esforços para mercados mais abertos, ganhando espaço rapidamente.

A fatia global de mercado das “Big Three” americanas caiu de 21,4% em 2019 para 15,7% em 2025, enquanto BYD e Geely subiram de menos de 3% para 11,1% no mesmo período.

Analistas e executivos da indústria não hesitam em classificar o cenário como uma ameaça existencial.

Eles apontam não só para os produtos chineses, mas para o modelo de negócio: cadeias produtivas integradas, velocidade de execução e forte subsídio governamental.

A Ford tenta reagir com uma nova linha de EVs menores e mais baratos, enquanto a GM tenta equilibrar suas contas com foco em modelos mais rentáveis.

No Congresso americano, grupos de lobby exigem que Washington impeça a entrada de fabricantes chineses no país, sob o argumento de risco à segurança nacional.

Mas especialistas alertam: o risco já está no retrovisor, e a China está ultrapassando com facilidade.

A participação chinesa na Europa, por exemplo, saiu do zero em 2020 para quase 10% das vendas em dezembro de 2025.

Enquanto isso, as vendas de EVs nos EUA despencaram de um pico de 10,3% em setembro para 5,2% no quarto trimestre, com as empresas voltando a apostar em SUVs e picapes a gasolina.

A ironia: foi o empurrão elétrico dos EUA que acabou acelerando o avanço chinês — que agora ameaça tomar o volante da indústria global.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio.


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