Reino Unido entra na era do “carro descartável”: em menos de 12 meses, os carros novos valem apenas 63% do inicial

reino unido carros transito
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Quando o seminovo começa a despencar tão cedo, não é só o dono que sente a pancada: todo o ecossistema de financiamento e troca passa a operar com mais medo.

No Reino Unido, carros estão perdendo mais de um terço do valor em menos de um ano após saírem da concessionária, pressionados por descontos e novos entrantes chineses.

Em março, veículos com menos de 12 meses valiam, em média, 63% do preço pago na compra, segundo dados da empresa de serviços automotivos Cox Automotive.

Esse patamar até melhorou em relação a dezembro, quando a média era 58%, mas ainda representa o segundo nível mais baixo desde o início da série, em 2022.

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No começo daquele período, a escassez de carros novos causada pela pandemia manteve preços elevados e sustentou a revenda, criando um “piso” artificial no mercado.

Agora o cenário mudou, e a Cox aponta que concorrência de marcas chinesas, descontos agressivos e um excesso geral de oferta ajudam a explicar a queda.

Philip Nothard, diretor de insights da Cox Automotive, inclui nesse pacote as promoções de fabricantes tentando atingir metas, como o mandato do governo para vendas de EVs.

Manter valores residuais altos por mais tempo é vital para a confiança no mercado de carros novos, porque protege quem compra, quem financia e quem troca de veículo com frequência.

Só que o sentimento do consumidor permanece fraco, o que pressiona a demanda enquanto o mercado britânico tenta voltar aos níveis de vendas de antes da pandemia.

Dentro desse quadro, os EVs continuam sendo os que mais perdem valor, e os números mostram que a depreciação é mais rápida do que em qualquer outra categoria.

Em março, EVs com menos de 12 meses praticamente perderam metade do valor no primeiro ano, uma dinâmica que desanima compradores e embaralha cálculos de custo total.

A demanda por EVs ainda é irregular porque muitos consumidores enxergam preços mais altos que os equivalentes a combustão e seguem desconfiados da infraestrutura de recarga.

Como se não bastasse, o prolongamento do conflito no Oriente Médio aumenta a perspectiva de custos maiores, com alta de matérias-primas alimentando o risco de novas pressões de preço.

Mesmo assim, a queda não ficou restrita aos elétricos, e os modelos a combustão, incluindo todos os tipos de híbridos, também estão sofrendo uma desvalorização pesada.

Segundo a Cox, carros a combustão com menos de um ano já perderam 35% do valor em menos de 12 meses desde a compra, mostrando que o tombo é sistêmico.

Os dados de valor residual usados na análise vêm da própria operação de leilões da Cox, a Manheim, reforçando que a fotografia reflete o que o mercado realmente paga.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio.


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