Relato do leitor: aluguel do Chery Tiggo 8

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Saudações, cabeças-de-marcha, vulgo gearheads!


Como proprietário, há 5 anos, de um Golf MK7 2014, (relato da compra publicado aqui no NA) sempre me preparei psicologicamente (nem tanto financeiramente…) para o dia que a famigerada mecatrônica ia me deixar na mão.

Pois bem, tardou mas não falhou: com 85 mil km, 5 primaveras de uso na minha mão (segundo dono, comprei com 30 mil km em 2017) deu pau no câmbio. @VW_brasil se fez de rogada, como a velha surda da praça: DSG!? Hein!?, recall no mundo todo, menos Brasil!? Vício oculto!? Comigo não, tá! e se recusou a cobrir o conserto. O carro está numa oficina especializada no RJ.

Enquanto o carro frequenta UTI sofrendo transplante de cérebro do câmbio, tive que viajar a trabalho do RJ para SP e então fui ver o cardápio de locadoras para escolher um veículo ao menos satisfatório para a viagem de cerca de 900 km ida e volta.

Estava inclinado a alugar um Peugeot 208, pois me simpatizo com o carrinho. Porém, me deparei com uma oferta da Movida para o TIGGO 8, por R$148 a diária. Como dono de hatch médio, deixei meu preconceito de lado e fechei a locação.

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Seguro do carro deu módicos R$ 25 adicionais por dia, mas a pegadinha é que em caso de furto, colisão etc eu teria que pagar a bagatela de R$ 7.500 como coparticipação. A caução para a locação da categoria do TIGGO 8 (que conta também com Tiguan) custa 2 mil reais, que ficam pré-autorizados no cartão de crédito durante toda locação, e são estornados no final.

Reserva fechada, hora de pegar o carro junto com a patroa, um bebê de 1,3 anos e duas malas grandes. Com pouco mais de 9 mil km, minha carruagem já apresentava inúmeros riscos na pintura, muito provavelmente por conta de ser preto.

Como macaco velho de locações, chamei a atendente e solicitei que todos riscos fossem inventariados, o que é feito com fotos num tablet e depois mandado por email para o cliente.

Burocracias vencidas, pé na estrada.

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O que mais me chamou atenção num primeiro momento no TIGGO 8 foi o espaço interno digno de uma viatura real. Os bancos traseiros são corrediços, o que faz com quem vá atrás possa configurá-los para parecerem um assento de 1a classe de avião, com espaço de sobra para os pés e joelhos.

No porta-malas (na configuração de 5 lugares, com 2 lugares suprimidos e incríveis 889 litros, contra 193 litros com 7 lugares) couberam duas malas grandes e ainda sobrou muito espaço. Abertura e fechamento da tampa do porta-malas são elétricos, bom para as mamães não quebrarem as unhas feitas no shopping, nem ter que fazer supino toda vez que for fechar a mala.

O interior é todo forrado em couro de excelente qualidade, inclusive painel e portas. Console central é parrudo, com dois andares, com carregador de celular por indução, câmbio tipo “joystick”, totalmente eletrônico.

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Android auto e Apple car funcionam via USB. O carro conta com auto-hold, ar digital bizona, partida por botão, chave por aproximação, mas não possui start-stop para ajudar (mesmo que psicologicamente) no consumo.

Na parte que mui interessa a um cabeça-de-engrenagem como eu, o 1.6 turbo de 28 kgfm e 187cv até que não faz feio: carrega os mais de 1600 kg do mastodonte com certa dignidade. O câmbio com sete marchas, que assim como no Golf é um dupla embreagem só que aqui “molhadas”, é eficiente, mas não tanto como o DSG.

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Talvez por conta do peso do carro, há muitas reduções de marcha em leves subidas: o câmbio reduz da 7a para até a 4a/5a marchas, para dar conta do peso do carro. Isso tem um preço: o consumo vai às alturas.

Há um modo dito esporte, que muda o clutch digital da usual luz azul para vermelho e o câmbio fica com giros mais altos. O carro fica mais arisco, mas não espere um rinoceronte veloz & furioso, no máximo a volúpia de um de um hipopótamo injuriado.

Ébrio habitual

Já havia lido a avaliação do TIGGO 8 aqui no NA, que o consumo auferido pelo INMETRO constavam até 12 km/litro na estrada, mas indo de RJ pra SP na Dutra mantive o carro fielmente entre 95 e 100 km por hora, 1600 RPM e mal consegui chegar aos 11 km/litro. Um tanque foi o suficiente para chegar a SP apenas, já na reserva.

Golfera me acostumou muito mal, consigo até 19 km/litro com ele na estrada.

Itens interessantes do carro são o sensor de ponto cego, que na estrada ajuda muito e também a câmera 360 que é ativada automaticamente pela seta em situações em que há carros ao seu lado. Ela dá uma visão ampla de todo exterior do veículo, evitando colisões. Ajuste do banco do motorista e do carona são elétricos.

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Pontos positivos

Os materiais parecem ser de boa qualidade e passam requinte sem ser cafona. O interior do carro possui uma faixa led que, conforme a música, varia de cores, dando uma sensação de discoteca motorizada. A tela de 10,5 polegadas é bastante intuitiva.

O teto solar panorâmico é enorme, que amplia ainda mais a sensação de espaço gigante do interior do carro.

É um carro que parece até custar mais do que os 200 mil pedidos, as assinaturas de LED das lanternas e faróis são plasticamente muito agradáveis. À noite, a traseira até lembra a de um Porsche Macan ou Cayenne. A garantia de 5 anos é um diferencial para quem for comprar.

A direção elétrica é precisa e leve na medida, sem ser muito molenga.

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Pontos negativos

Sem dúvida nenhuma, o ar condicionado deixa a desejar. Parece não dar vazão ao tamanho do carro. Talvez por conta de ser um carro de locadora, e não ter película nos vidros, o sol penetra vigorosamente pelas janelas – e olha que não estava tão quente neste outono paulista-carioca e o ar sofreu para gelar.

O piloto automático não é adaptativo. Freou, destravou, baubau tem que acionar de novo.

O tamanho do carro é um empecilho para achar vagas, mas quem compra um carro desse porte não deve se preocupar com esse tipo de pensamento provinciano, não é? Para mim que não estou acostumado a dirigir carros tão massivos, a grande questão de SUvs é a ergonomia no sentido de você “vestir” o carro e se sentir uno (não o da escada) com o veículo.

Num carro tão colossal, essa relação máquina-maquinista fica longe de ser sublime: em certos momentos, de tão grande, me sentia um mero passageiro, como um turista num elefante, tal a massa de ferro sendo deslocada.

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Conclusão

Apesar de todos os mimos, da (falsa?) sensação de segurança, um SUV desse porte parece não fazer muito sentido (ao menos para mim): movido só a gasolina, beberrão, porte excedente para maiorias das vagas… tem seus predicados como luxo e espaço interno, mas é quase um pato, não nada (não anda bem estrada) nem voa (não anda bem em terrenos acidentados) direito, por não ser 4×4, nem diesel.

Por outro lado, sem dúvidas é um carro bonito e bem construído, um salto de qualidade para a Caoa-Chery. Pelo preço de cerca de 200 mil é uma compra muito interessante, pelo o que entrega, mas pode-se dizer que é um carro para quem “não gosta de dirigir”, pois a dirigibilidade é muito comprometida pela altura e porte do carro.

Deixa eu ligar pra oficina para ver se meu Golf já tá pronto.

Por Gustavo Fonseca

Autor: Eber do Carmo

Formado em marketing, tem mais de 17 anos de experiência escrevendo sobre o mercado automotivo no Notícias Automotivas, desde que fundou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio. Também teve por três anos uma empresa de criação de sites e catálogos eletrônicos.