
No novo capítulo da briga por EVs, a Renault decidiu encarar a realidade de margens menores para não perder terreno para rivais chinesas em rápido avanço.
A montadora francesa projeta para este ano uma margem operacional em torno de 5,5%, abaixo dos 6,3% anteriores e do que o mercado esperava, sinalizando um período de pressão sobre a rentabilidade.
Mesmo assim, a empresa optou por manter um dividendo estável de € 2,20 por ação, algo em torno de R$ 13,50, como gesto de confiança aos investidores.
Parte dessa compressão de resultados virá da aposta em EVs mais baratos, incluindo o novo Twingo, que devem puxar preços para baixo em um mercado europeu já bastante competitivo.
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O CEO Francois Provost, que assumiu revisando decisões de seu antecessor Luca de Meo, reintegrou a divisão de EVs e software Ampere à estrutura principal da Renault.
Além disso, o executivo encerrou alguns negócios de mobilidade e promoveu cortes significativos de custos na marca esportiva Alpine, numa tentativa de deixar o grupo mais enxuto.
A meta declarada é reduzir custos variáveis em cerca de € 400 por veículo ao ano, o que representa aproximadamente R$ 2.460 economizados por carro produzido.
Provost argumenta que essas mudanças são necessárias em um ambiente “muito disruptivo”, em que concorrentes chinesas conseguem desenvolver e lançar produtos em ciclos mais curtos e agressivos.
No curto prazo, porém, a conta não fecha com tanta facilidade: a Renault prevê que o fluxo de caixa livre automotivo cairá de cerca de € 1,5 bilhão para aproximadamente € 1 bilhão, algo entre R$ 9,2 bilhões e R$ 6,2 bilhões.
A empresa admite que a expansão internacional e a maior participação dos EVs no mix vão diluir margens, enquanto o cenário de preços permanece complicado, segundo o diretor financeiro Duncan Minto.
Ainda assim, os planos de médio prazo falam em margem operacional entre 5% e 7% e fluxo de caixa livre automotivo médio de pelo menos € 1,5 bilhão, recuperando fôlego após a fase de investimento pesado.
Analistas da Bernstein classificaram a resposta da Renault à ameaça chinesa como uma das mais robustas da Europa, citando releituras inteligentes de ícones como o R5 e processos mais rápidos de desenvolvimento.
Enquanto reorganiza o portfólio automotivo, a companhia também mira um novo front: a fabricação de drones em sua planta de Le Mans, para ajudar a preencher capacidade e atender à demanda de defesa da França.
O movimento reflete um contexto de tensões geopolíticas crescentes e abre uma via paralela de negócio, ainda modesta, mas estratégica para o grupo.
As ações da Renault oscilaram na abertura e registraram leve alta de 0,7% em Paris, embora continuem cerca de um terço abaixo do valor de um ano atrás.
Provost pretende detalhar a nova estratégia em um dia do investidor marcado para 10 de março, no Technocentre em Guyancourt, centro de desenvolvimento e vitrine tecnológica da marca.
Segundo o executivo, depois de consolidar a recuperação na Europa nos últimos cinco anos, a hora agora é de acelerar fora do continente, especialmente na América Latina e na Ásia, usando EVs mais acessíveis como ponta de lança.
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