
Com o aumento das tensões geopolíticas e a pressão por maior autonomia militar na Europa, a Renault decidiu entrar em um terreno bem diferente de seu habitual: a indústria de defesa.
A montadora francesa foi convidada pelo Ministério das Forças Armadas da França a colaborar no desenvolvimento de uma nova linha de drones militares.
O projeto, que será supervisionado diretamente pelo governo francês, será realizado em parceria com a empresa de defesa e aeronáutica Turgis Gaillard, especializada em soluções militares avançadas.
A Renault justificou sua participação alegando expertise em design, industrialização e produção em larga escala de produtos de alta tecnologia.
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Segundo a empresa, sua capacidade de controlar qualidade, custos e prazos a torna uma aliada estratégica para iniciativas que exijam precisão e eficiência industrial.
Embora o grupo tenha evitado detalhar quais fábricas estarão envolvidas, o jornal francês L’Usine Nouvelle adiantou que as unidades de Cleon e Le Mans devem ser designadas ao projeto.
A confirmação oficial, no entanto, depende de consultas internas com os sindicatos da empresa, como destacou a própria Renault em comunicado por e-mail.
A movimentação ocorre após o presidente Emmanuel Macron pedir um salto orçamentário na área de defesa, com uma proposta de €36 bilhões adicionais até 2030.
O objetivo seria promover uma “mudança de escala” nas capacidades militares francesas, diante de ameaças globais cada vez mais complexas.
Entre os fatores que aceleraram a iniciativa está a crescente preocupação europeia com os recentes posicionamentos dos Estados Unidos sobre a região da Groenlândia, que voltaram a agitar bastidores diplomáticos e militares.
Ao ser procurada por telefone, a Renault se recusou a comentar outros detalhes sobre seu envolvimento com o setor bélico, limitando-se à nota oficial enviada anteriormente.
O movimento marca uma guinada histórica para a fabricante, que tradicionalmente se concentra em veículos civis, como os populares R5 e Scenic.
Agora, a Renault se junta ao grupo de empresas civis que estão sendo cooptadas pelo Estado francês para fortalecer o complexo militar-industrial do país.
Essa aliança com o setor de defesa pode abrir novos caminhos — e também debates — sobre o papel de montadoras tradicionais em um contexto de rearmamento global.
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