
A General Motors está colocando todas as fichas em uma nova tecnologia de bateria para tentar reverter um cenário preocupante em sua divisão de veículos elétricos.
Após registrar prejuízos de US$ 7,6 bilhões — cerca de R$ 37 bilhões — ligados à eletrificação, a montadora aposta em células com química rica em manganês, conhecidas como baterias LMR (lítio-manganês rico).
O projeto é liderado por Kurt Kelty, ex-Tesla e Panasonic, contratado em 2024 com a missão de reinventar a estratégia elétrica da GM.
“Se o LMR falhar, então eu falhei”, afirmou Kelty, reconhecendo que se trata de uma aposta ambiciosa e arriscada.
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Segundo ele, as vendas de EVs nos EUA só devem voltar a crescer com força na década de 2030, o que torna essencial reduzir custos e diferenciar os produtos.
O uso do manganês, segundo reportagem do Financial Times, permitiria substituir materiais caros e escassos como níquel e cobalto, comuns em baterias de alto desempenho.
A GM quer uma solução intermediária entre as baterias LFP chinesas, baratas mas com baixa densidade energética, e as baterias de alto níquel coreanas, caras e complexas.
Kelty afirma que sua equipe conseguiu superar o principal obstáculo técnico das LMRs — o fenômeno conhecido como “fading de voltagem”, que degrada o desempenho após ciclos de recarga.
Ainda que os detalhes sobre a solução técnica não tenham sido divulgados, a GM afirma que suas baterias LMR terão 33% mais desempenho que as LFP, com custos similares aos produzidos fora da China.
Mesmo assim, continuarão mais caras que as baterias LFP chinesas — o que mantém a competitividade asiática em vantagem no curto prazo.
O executivo também anunciou que a GM está diversificando seus fornecedores e reduzindo a dependência da LG Energy Solution, com quem tinha parceria de longa data.
A nova estratégia inclui o uso de células prismáticas, que podem ser empilhadas de forma mais eficiente, otimizando espaço e densidade.
A produção em massa das baterias LMR está prevista para 2028, e Kelty garante que a empresa está no cronograma, apesar de ainda não ter começado a comprar os materiais necessários.
Além disso, ele confirmou que a GM negocia o fornecimento dessas células para outras montadoras interessadas na tecnologia.
Enquanto isso, concorrentes como a Ford também se movimentam: a marca planeja lançar um EV com bateria LMR até o fim de 2029.
O problema, segundo Kelty, é que nem mesmo a estreia da nova bateria será suficiente para tornar os EVs tão acessíveis quanto os carros a combustão.
A GM ainda precisará de mais uma grande evolução tecnológica para derrubar os preços — e tentar alcançar a China, onde EVs e híbridos plug-in já somaram mais de 50% das vendas em 2025.
Nos EUA, essa fatia deve ficar em apenas 8% neste ano, muito em função das mudanças regulatórias promovidas por Donald Trump.
A retirada do crédito fiscal de US$ 7.500 em setembro de 2025 e a proposta de enfraquecer os padrões de eficiência energética impactaram duramente a competitividade dos elétricos.
Para Kelty, a única saída é correr riscos e apostar em avanços reais.
“Se só repetirmos o que já existe, vamos continuar fabricando carros copiados e caros”, disse.
A GM promete chegar em 2028 pronta para liderar a corrida das LMRs — mas o verdadeiro ponto de virada pode ainda demorar alguns anos.
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