Seguradoras entram em pânico com explosão de sinistros de EVs, uma combinação perfeita para encarecer o seguro no mundo todo

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Enquanto o debate público insiste em falar de autonomia e recarga, a grande dor de cabeça dos EVs hoje para a indústria é bem mais prosaica: sinistro e oficina.

Dados da Mitchell mostram que, em 2025, os pedidos de reparo por colisão envolvendo EVs cresceram 14% nos Estados Unidos e impressionantes 24% no Canadá, pressionando seguradoras e funilarias.

O choque é maior porque esse avanço ocorre justamente quando o ritmo de vendas de EVs esfriou, com o fim de incentivos fiscais e parte dos consumidores migrando para híbridos.

Estimativas da Cox Automotive apontam queda de aproximadamente 2% nas vendas de novos EVs nos EUA, enquanto a S&P Global Mobility registrou recuo de 0,4% nas novas matrículas.

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Nem a Tesla passou ilesa à mudança de cenário, vendo sua fatia de mercado nos Estados Unidos encolher de 48,7% para 46,2% em 2025, à medida que rivais ganham espaço.

Por trás dos números, está um parque circulante de EVs que envelhece, se envolve em mais acidentes e exige reparos muito mais complexos do que os carros a combustão tradicionais.

Segundo Ryan Mandell, executivo da Mitchell, arquiteturas elétricas densas, sistemas guiados por software e projetos repletos de sensores pedem diagnósticos e calibrações extras, aumentando custo, burocracia e tempo de conserto.

Não por acaso, em 2025 os EVs tiveram, em média, 1,70 calibração por orçamento, contra 1,63 nos híbridos e 1,54 nos veículos a combustão, um diferencial que pesa na conta final.

Calibração, neste contexto, é reajustar e testar os sensores e sistemas eletrônicos do carro depois de um reparo.

Há, porém, uma pequena boa notícia no meio do caos: o custo médio de reparo de EVs nos EUA caiu 5%, de cerca de R$ 35 mil para aproximadamente R$ 33,5 mil.

No Canadá, a redução foi de 2%, enquanto veículos a combustão e híbridos plug-in ficaram praticamente estáveis nos Estados Unidos, e os híbridos leves viram o valor médio subir para algo em torno de R$ 26,5 mil.

Outra parte do problema está nas peças, já que 86% do gasto com componentes em EVs vão para itens originais de fábrica, e apenas 13% são considerados reparáveis, contra 62% e 15% nos carros a combustão.

O relatório “Plugged-In: EV Collision Insights” também mostra que os sinistros reparáveis de híbridos plug-in cresceram 6% nos EUA e 26% no Canadá, enquanto modelos híbridos leves avançaram 20% e 29%, respectivamente.

No caso dos híbridos leves, esse salto é parcialmente explicado pela alta de 28% nas vendas nos Estados Unidos, o que naturalmente amplia a base de veículos expostos a colisões.

Geograficamente, a maior concentração de reparos de EVs na América do Norte aparece na Colúmbia Britânica, com 8,48% de participação, seguida por Quebec, com 8,21%, e Califórnia, com 6,58%.

Entre os modelos, a Tesla ainda domina o volume de sinistros de EVs, com o Model Y respondendo por 30,32% das colisões reparáveis de elétricos nos EUA, seguido do Model 3 com 27,01%.

No Canadá, o padrão se repete com papéis invertidos, já que o Model 3 concentra 26,03% dos sinistros reparáveis, ligeiramente à frente do Model Y, com 25,91%.

Quando um EV vira perda total, o impacto também é sentido no valor de mercado: nos EUA, a média caiu 6%, de cerca de R$ 157,7 mil para aproximadamente R$ 147,5 mil em 2025.

Veículos a combustão tiveram recuos mais suaves, caindo para perto de R$ 72,7 mil nos EUA e R$ 62,8 mil no Canadá, enquanto os híbridos ganharam valor nos EUA e perderam terreno em solo canadense.

Analistas atribuem as quedas mais fortes dos EVs à desvalorização acelerada, à chegada de modelos novos mais baratos e à mudança de humor do consumidor diante da eletrificação em massa.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio.


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