
Tem lugar que funciona como um choque de realidade para montadoras, e a Austrália acabou virando o campo de testes mais duro para a Ford.
A sede global pode estar em Detroit, mas o futuro da marca foi colocado na mesa a milhares de quilômetros dali, em um mercado com apenas cerca de 8% do tamanho dos EUA.
O CEO Jim Farley não foi ao país para uma visita simbólica, porque ele disse ao Detroit Free Press que estava tomando uma decisão “multibilionária” sobre a linha global e a direção de longo prazo.
O conteúdo dessa decisão ainda não foi revelado, mas o motivo de escolher a Austrália aparece com clareza quando se olha para o tabuleiro competitivo.
Veja também
É um dos poucos lugares onde o gosto por SUVs e picapes, tão parecido com o dos americanos, se choca de frente com a concorrência chinesa sem o filtro de tarifas.
Sem barreiras para segurar rivais, a Ford enxerga um retrato cru de como se sai diante de marcas chinesas que competem sem amarras e com agressividade.
Farley descreveu o país como uma espécie de pista de provas onde a Ford enfrenta fabricantes chineses cara a cara fora do território doméstico deles.
E esses concorrentes não estão apenas “aparecendo”, porque as montadoras chinesas avançaram para algo em torno de 18% de participação, com carros cheios de tecnologia e preços difíceis de igualar.
Essa pressão é o tipo de coisa que força uma revisão profunda, desde software até estruturas de custo, num momento em que a Ford precisa ser competitiva e lucrativa.
Por isso, Farley adotou um roteiro prático, dirigindo veículos de rivais, conversando com concessionários e clientes e mergulhando no mercado.
Ele chamou isso de abordagem “gemba”, que é ver os problemas com os próprios olhos e testar soluções na realidade, algo que ele diz ter aprendido na época em que trabalhou na Toyota.
“Antes de tomar uma grande decisão eu gosto de ir e ver com meus olhos o problema e gosto de brincar com a solução”, disse Farley ao Detroit Free Press, destacando o contato direto com clientes e lojistas.
A viagem também teve um ar de comemoração, porque a Ranger segue como o veículo mais vendido da Austrália e mantém esse posto por três anos seguidos.
Esse dado pesa porque picapes médias são um negócio global enorme, especialmente em países onde as grandonas americanas são grandes demais para as estradas e para a rotina.
A Ranger virou tão central na Austrália que a Ford oferece por lá uma versão com marca e hardware de Super Duty, algo que, nos EUA, é reservado às picapes grandes.
Mesmo com esse domínio, a Ford não se dá ao luxo de relaxar, e Farley avalia questões como o papel global de picapes menores, incluindo a Maverick.
Outra dúvida importante é como EVs de alcance estendido podem se encaixar em mercados que ainda dependem de longas distâncias e viagens frequentes.
Com a divisão de EVs ainda perdendo bilhões, os próximos produtos precisam acertar preço, tecnologia e margem, e a Austrália virou o teste de estresse.
A lógica é simples: se a Ford conseguir vencer onde os chineses competem sem proteção, ela ganha chance real de enfrentar o mesmo cenário quando essa pressão chegar com força aos EUA.
📣 Compartilhe esta notíciaXFacebookWhatsAppLinkedInPinterest
📨 Receba um email com as principais Notícias Automotivas do diaReceber emails
📲 Receba as notícias do Notícias Automotivas em tempo real!Canal do WhatsAppCanal do Telegram
Siga nosso site no Google Notícias










