
A disputa por quem vai dominar a próxima fase do setor automotivo nos EUA virou também um debate sobre fronteiras, dados e soberania industrial, com pressão direta sobre Donald Trump.
Três senadores democratas — Tammy Baldwin, Elissa Slotkin e Chuck Schumer — pediram na sexta-feira que o presidente barre montadoras chinesas de construir veículos em território americano.
No mesmo pedido, eles querem impedir que carros chineses montados no México ou no Canadá entrem nos Estados Unidos, fechando o que consideram uma rota alternativa.
Os parlamentares citaram falas de Trump em janeiro, em Detroit, quando ele disse estar aberto a montadoras chinesas construírem fábricas no país.
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Hoje já existem barreiras elevadas contra automóveis chineses, incluindo tarifas em torno de 100%, mas pesquisas recentes indicam maior interesse de consumidores americanos nesses veículos.
Em uma carta a Trump, primeiro noticiada pela Reuters, Baldwin, Slotkin e Schumer afirmam que convidar montadoras da China daria “vantagem econômica insuperável” e acionaria uma “crise de segurança nacional” irreversível.
Questionada, a Casa Branca disse que, embora busque mais investimentos para a retomada industrial, é “falsa e infundada” qualquer ideia de comprometer a segurança nacional.
No discurso ao Detroit Economic Club, Trump afirmou que, se chineses quiserem construir uma planta e contratar moradores locais, “isso é ótimo”, e disse “eu adoro isso”.
A preocupação de segurança aparece no contexto de regras impostas pelo governo Biden em janeiro de 2025, descritas como um banimento efetivo da venda de carros de passeio chineses nos EUA.
A justificativa citada foi o risco de segurança nacional ligado à capacidade de veículos coletarem dados sensíveis sobre proprietários americanos.
Segundo a Reuters, a proibição tem forte apoio de montadoras americanas e de outros grupos do setor, que defendem manter a China fora do mercado doméstico.
No mês passado, entidades que representam quase todas as grandes empresas do setor pediram ao governo que sustente o bloqueio antes da cúpula planejada de Trump com o presidente chinês Xi Jinping em maio.
Nesta semana, o senador republicano Bernie Moreno, de Ohio, disse que vai propor legislação para “selar” os EUA, evitando qualquer cenário em que um automóvel chinês entre no mercado.
Moreno afirmou que a vedação deveria cobrir “hardware, software e parcerias”, ampliando o foco do debate para tecnologias embarcadas e cadeias de suprimentos.
Na carta, Slotkin, Baldwin e Schumer também argumentam que uma nova fábrica chinesa poderia gerar alguns empregos temporários, mas não compensaria a perda duradoura de postos.
A Embaixada da China em Washington não comentou de imediato na sexta, e anteriormente disse que o mercado chinês está aberto, enquanto os EUA praticam proteção e subsídios.
Os senadores destacaram ainda que, em fevereiro, a BYD esteve entre empresas brevemente adicionadas a uma lista de companhias chinesas que teriam ajudado o Exército de Pequim.
Para eles, o governo “deveria, sem hesitação”, designar a BYD e outras montadoras chinesas como entidades conectadas aos militares, elevando o tom às vésperas da diplomacia de maio.
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