Setor automotivo afunda e Bosch diz que a situação não vai melhorar por pelo menos dois anos

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A desaceleração da indústria automotiva global continua a fazer estragos, e a Bosch é uma das maiores vítimas desse cenário incerto.

Apesar de sua posição como maior fornecedora mundial de autopeças, a companhia já admite que não conseguirá atingir sua meta de margem de lucro de 7% antes de 2027.

O plano inicial era alcançar esse índice muito antes, mas os desafios econômicos e estruturais se intensificaram.

A empresa divulgou que o lucro operacional antes de juros e impostos caiu de 3,5% em 2024 para apenas 2% no último ano, muito abaixo das expectativas.

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Enquanto a receita avançou modestos 0,8%, chegando a €91 bilhões (cerca de R$ 566 bilhões), o desempenho foi prejudicado por queda nas vendas na Europa , principal mercado da Bosch.

A concorrência com fornecedores chineses e empresas focadas em software tem aumentado, comprimindo margens e acelerando uma tendência de reestruturações no setor.

Além disso, muitas montadoras passaram a desenvolver internamente tecnologias que antes eram fornecidas, o que reduziu o poder de negociação da Bosch.

A combinação de tarifas comerciais e a valorização do euro frente ao dólar agravaram ainda mais o quadro financeiro da companhia.

Atualmente, 1 euro vale R$ 6,22, enquanto o dólar está cotado a R$ 5,22, gerando um câmbio desfavorável para exportações.

Diante disso, a Bosch anunciou planos para cortar 18.500 empregos globalmente, sendo 13.000 apenas na divisão de Mobilidade.

Essas demissões não incluem cortes operacionais em suas fábricas na Alemanha até pelo menos o fim de 2027, segundo acordos já firmados.

Entretanto, o CEO Stefan Hartung deixou claro que novas medidas de redução de pessoal poderão ser necessárias.

“Precisamos fazer muito mais para reduzir os custos com pessoal e tornar nossa organização mais enxuta”, afirmou.

A fala mais emblemática do executivo resume o momento delicado: “A meta continua sendo 7%, mas a pedra onde ela está escrita vive se movendo”.

A empresa está em diálogo com representantes dos trabalhadores para tentar encontrar alternativas socialmente responsáveis.

Ainda assim, o tom é de cautela, com o executivo evitando promessas e preferindo destacar o esforço para evitar cortes mais severos.

O ambiente atual do setor automotivo europeu, com baixa demanda, custos elevados e forte competição internacional, indica que os próximos anos ainda serão turbulentos para a Bosch e seus pares.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio.


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