
O maior sindicato industrial da Alemanha elevou o tom e lançou um alerta direto às montadoras como Volkswagen e Mercedes-Benz: se insistirem em cortar custos agressivamente e transferir produção para fora do país, enfrentarão resistência organizada.
A declaração foi feita pela tesoureira da IG Metall, Nadine Boguslawski, durante coletiva anual da entidade nesta segunda-feira, em um momento em que a tensão entre trabalhadores e empresas cresce em ritmo acelerado.
As negociações salariais da categoria começam ainda este ano, com expectativas de embates duros previstos para o outono europeu.
A movimentação sindical ocorre em meio a uma indústria automotiva pressionada por concorrência chinesa, tarifas dos Estados Unidos e uma transição mais lenta do que o previsto para os veículos elétricos.
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Com assento nos conselhos administrativos de gigantes como Mercedes e Bosch, Boguslawski criticou diretamente estratégias corporativas focadas apenas em lucros, à custa de acordos trabalhistas e da permanência de fábricas em território alemão.
Para ela, os trabalhadores e seus salários serão a base da recuperação econômica alemã em 2026.
A IG Metall possui poder real dentro das principais empresas do país, já que a legislação garante que representantes dos funcionários ocupem metade dos assentos nos conselhos supervisores.
Esse modelo confere aos sindicatos a capacidade de influenciar ou até bloquear decisões estratégicas.
Nos bastidores, o clima é de desgaste: após anos de investimentos maciços em eletrificação, fabricantes vêm reduzindo expectativas e cancelando projetos diante da baixa demanda por EVs.
Grandes nomes do setor anunciaram cortes que devem atingir cerca de 100 mil empregos até 2030, com a Bosch liderando os desligamentos.
Apesar dos cortes, algumas montadoras começaram a colher frutos das medidas de contenção.
A Volkswagen, por exemplo, revelou um fluxo de caixa acima do esperado em 2025, impulsionado pelo adiamento de investimentos.
O mesmo ocorreu com a fornecedora ZF Friedrichshafen, que teve alívio financeiro após clientes cancelarem programas de veículos elétricos.
Enquanto isso, a concorrência vinda da China, especialmente da BYD, avança tanto no próprio mercado chinês quanto com importações crescentes para a Europa.
A produção de veículos na Alemanha permaneceu estagnada pelo terceiro ano seguido, e os números de 2025 ainda estão 11% abaixo dos níveis de 2019.
A presidente do sindicato, Christiane Benner, cobrou uma resposta urgente do governo, exigindo compromissos claros contra fechamento de unidades, demissões e transferências de produção para outros países.
Para o IG Metall, qualquer apoio estatal ao setor automotivo precisa vir acompanhado de garantias de proteção ao emprego em solo alemão.
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