
A relação entre a Volkswagen e suas concessionárias acaba de ficar bem mais tensa, com a nova marca Scout no centro de uma disputa pesada.
Duas revendas ingressaram com uma ação coletiva em um tribunal federal na Virgínia, Estados Unidos, acusando a montadora de querer vender os futuros modelos Scout diretamente ao consumidor, sem passar pelas lojas autorizadas.
Na prática, os dealers alegam que estão sendo excluídos justamente dos produtos mais desejados, depois de anos pedindo à Volkswagen um veículo realmente robusto, voltado a uso off-road.
A Scout Motors, ressuscitada como submarca de picapes e SUVs, já abriu reservas online mediante pagamento de taxa de US$ 100 (algo em torno de R$ 522), o que sinaliza a estratégia digital da VW.
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Segundo a ação, essas reservas já ultrapassaram a marca de 150 mil interessados, mostrando um apetite significativo do mercado pelos modelos Terra e Traveler.
A linha Scout prevê uma picape chamada Terra e o SUV Traveler, ambos oferecidos em versões totalmente elétricas e em variantes híbridas a gasolina, consideradas as mais atraentes comercialmente.
Para as concessionárias, a Volkswagen estaria violando cláusulas contratuais ao planejar um modelo de venda direta que as deixaria de fora da comercialização desses veículos “de ponta”.
O texto da ação afirma que as lojas estão sendo privadas do direito de vender os novos produtos e, com isso, arcando com um prejuízo financeiro significativo em potencial.
Os dealers argumentam que os contratos padrão da marca preveem que produtos autorizados sejam vendidos e entregues exclusivamente por meio da rede franqueada Volkswagen.
A montadora, por sua vez, optou por não comentar publicamente o processo, mantendo silêncio enquanto a discussão ganha repercussão no mercado norte-americano.
Desde a revelação da nova marca em 2024, concessionários vinham disputando o direito de vender os modelos Scout, especialmente diante da queda recente nas vendas de Audi e Volkswagen tradicionais.
O cenário é ainda mais sensível porque a Volkswagen já abandonou a meta de chegar a 10% de participação de mercado nos Estados Unidos, permanecendo em torno de 4% segundo declarações recentes.
Tarifas, um portfólio pouco alinhado ao gosto americano por SUVs grandes e picapes e dificuldades históricas no país ajudam a compor o pano de fundo dessa estratégia mais agressiva com a Scout.
A marca foi herdada em 2021, quando o grupo VW comprou a fabricante de caminhões Navistar, sucessora da antiga International Harvester, dona original do nome Scout.
Os planos preveem uma fábrica de cerca de US$ 2 bilhões (aproximadamente R$ 10,44 bilhões) na Carolina do Sul, hoje em construção, para produzir os futuros SUVs e picapes.
Dentro da Volkswagen, a esperança é que a Scout tenha um efeito parecido com o renascimento do Ford Bronco, reposicionando a marca no imaginário de quem busca veículos aventureiros.
Para os concessionários, porém, essa estratégia só reforça a sensação de terem sido deixados de lado, como resumiu o presidente do conselho nacional de dealers da VW ao chamar a decisão de “soco no rosto”.
A ação pede indenizações e também uma medida judicial que impeça o modelo de venda direta, que os revendedores classificam como ilegal diante das proteções previstas em contratos e leis estaduais.
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