
Montadoras vivem de marketing em cima de números de potência, mas de vez em quando a matemática resolve pregar uma peça e entregar “cavalos extras” sem mexer no carro.
É exatamente o que está acontecendo na Stellantis, que depois de ver o Alfa Romeo Junior Veloce render mais que o prometido, agora descobre que o Citroën C5 Aircross híbrido plug-in era bem mais forte do que dizia.
A marca passou a declarar 222 hp (219 cv) de potência combinada, em vez dos antigos 192 hp (189 cv) anunciados antes.
Na prática, é um salto de 30 hp apenas na ficha técnica, já que a própria Stellantis faz questão de frisar que não houve qualquer modificação técnica no motor ou no sistema híbrido.
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Debaixo do capô, continua tudo igual: motor 1.6 turbo a gasolina com 148 hp (146 cv) e um motor elétrico de 123 hp (121 cv).

O conjunto segue movimentando apenas as rodas dianteiras por meio de um câmbio automático de dupla embreagem com sete marchas, exatamente como antes da revisão dos números.
Segundo a Stellantis, o novo valor seria “mais preciso em termos de desempenho oferecido” e alinhado com as declarações observadas no mercado, em preparação para o protocolo ligado à futura norma Euro 7.
A justificativa soa genérica, e chama ainda mais atenção o fato de que a nova potência combinada praticamente coincide com a do C5 Aircross PHEV da geração anterior.
Ao mesmo tempo, a Citroën garante que o trem de força foi “completamente redesenhado”, destacando um tanque de combustível maior, agora com 55 litros, e lógica de funcionamento revista do motor a combustão.

A promessa é de menor consumo e desempenho mais consistente mesmo quando a bateria, agora de 21,5 kWh, está descarregada e o sistema depende quase totalmente do quatro cilindros turbo.
Na vida real, o motorista não vai sentir um “ganho mágico” de força do dia para a noite, mas a ficha técnica mais encorpada certamente ajuda na comparação com rivais e nas conversas de concessionária.
E esse efeito tende a se espalhar, já que o mesmo conjunto híbrido é usado por vários modelos médios da Stellantis, como Jeep Compass, Peugeot 3008 e 5008, além do Opel Grandland.
É bem provável que esses SUVs acabem adotando a nova potência combinada nas próximas atualizações oficiais, reforçando a impressão de que ficaram mais fortes sem trocar uma única peça.
Outros candidatos naturais à revisão são o Peugeot 308 e o Opel Astra, que já passaram por atualizações de meia-vida e utilizam variações da mesma arquitetura híbrida plug-in.
Já o Peugeot 408 reestilizado usa um sistema um pouco diferente, declarado com 237 hp (234 cv), que ainda pode servir de base para futuros DS, Lancia e até os sucessores de Alfa Romeo Giulia e Stelvio.
No fim, a história mostra como normas de emissões, protocolos de medição e estratégia de marketing podem alterar números oficiais, mesmo quando, debaixo da carroceria, tudo continua exatamente o mesmo.
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