
Num momento em que os estoques deveriam estar renovados para 2026, algumas montadoras ainda lutam para vender modelos lançados há dois anos, uma situação que escancara falhas graves de planejamento e marketing.
A Stellantis, dona de marcas como Jeep, Dodge e Alfa Romeo, enfrenta o maior gargalo: modelos 0 km do ano de 2024 continuam sem compradores, mesmo com as vitrines já exibindo os lançamentos de 2026.
O caso mais simbólico é o do Dodge Hornet híbrido plug-in, que ainda possui 82% de sua produção 2024 encalhada nas concessionárias americanas.
Enquanto o setor como um todo já liquidou quase toda a linha 2024, com média de apenas 0,4% de unidades restantes, a Stellantis parece travada no tempo.
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Outro destaque negativo nos Estados Unidos é o Jeep Grand Cherokee 2024, que ainda conta com 70,8% de estoque disponível, mesmo sendo um dos modelos mais conhecidos da marca.
A Alfa Romeo, por sua vez, tenta em vão escoar o Tonale Hybrid, que amarga uma sobra de 46,8% das unidades produzidas em 2024.
Esses números foram levantados por consultorias do setor até o final de novembro, quando havia um total de 3,01 milhões de veículos em estoque nas concessionárias dos EUA.
Curiosamente, 60% desse volume já é de modelos 2026, o que só agrava o cenário para as unidades antigas ainda sem destino.
Mesmo com o excesso de oferta, os preços médios não cederam: em novembro, o valor médio de anúncio girava em torno de R$ 271.800, acima dos R$ 268.200 registrados no pico anterior, em dezembro de 2024.
Esse patamar elevado tem afastado os consumidores mais atentos ao custo-benefício, principalmente quando se trata de modelos com dois anos de fabricação.

A busca por descontos reais esbarra na resistência dos lojistas em cortar preços de forma agressiva, apostando que a garantia de fábrica e o “cheiro de novo” ainda atrairão interessados.
Segundo especialistas, essa combinação de preços altos e falta de renovação de estoque pode comprometer a imagem das marcas envolvidas.
Além da Stellantis, outras fabricantes também enfrentam dificuldade para girar seus modelos 2025, que já deveriam estar vendendo em ritmo acelerado.
O BMW i4 lidera esse ranking com 89% do estoque ainda parado, mesmo custando, em média, R$ 372 mil.
Logo atrás vem a Lexus, com 88% do GX 550 e 84% do LX 600 ainda nos pátios, ambos SUVs de luxo acima dos R$ 400 mil.
Nem mesmo a Toyota escapou da má fase: o GR Corolla, a nova geração do 4Runner Hybrid e o Tacoma Hybrid têm entre 70% e 83% de estoque encalhado.
O Subaru BRZ também chama atenção, com 87% das unidades 2025 ainda à espera de compradores, mesmo custando cerca de R$ 211 mil.
O Chevrolet Malibu, mesmo fora de linha, ainda ocupa espaço nas lojas com 31% de suas unidades 2024 encalhadas — e com preços acima do sugerido, segundo o Consumer Reports.
Para efeito de comparação, a média de estoque remanescente da linha 2025 no mercado americano é de 21%, ou seja, marcas como Stellantis, BMW, Lexus e Toyota estão bem acima desse índice.
Diante disso, quem procura um carro novo com preço mais acessível pode encontrar boas oportunidades, desde que esteja disposto a levar para casa um modelo que já nasceu “velho” no papel.
A dúvida que fica é: até quando as montadoras vão insistir em empurrar estoques antigos em vez de ajustar a produção à nova realidade do mercado?
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