Taxa de frete virou “pegadinha” no preço do carro: Ford, GM e RAM chegam a cobrar quase R$ 15 mil nos EUA

O preço do carro novo nos Estados Unidos virou uma soma de pequenos aumentos que parecem invisíveis, e um dos mais irritantes é a taxa de destino e manuseio.

Com a inflação pós-2019 e a turbulência da pandemia, o valor médio dos carros subiu cerca de 30%, e o que aumentou raramente volta ao patamar antigo.

Essas taxas são obrigatórias e aparecem no adesivo do veículo, mas quase nunca entram em anúncios, comerciais ou naquelas promessas de “a partir de”.

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O salto é tão forte que algumas marcas elevaram a cobrança muito mais do que outras, criando discrepâncias difíceis de engolir em categorias populares.

Sam Fiorani, vice-presidente de Global Vehicle Forecasting da AutoForecast Solutions, cita transporte mais caro, combustível mais caro e falta de contêineres apertando a logística.

Ele também aponta que encontrar veículos e pessoas para movimentar mercadorias ficou mais difícil, enquanto regras mais rígidas para caminhões e motoristas reduzem oferta e elevam custo.

A distorção aparece com clareza nas picapes grandes, onde as taxas pré-Covid variavam de US$ 1,495 (R$ 7.800) na Silverado a US$ 1,645 (R$ 8.600) na Ram 1500.

Em 2026, o crescimento acumulado chegou a 81% na Silverado, 58% na Ram e 75% na F-150, que hoje cobra US$ 2,795 (R$ 14.600).

A própria F-150 parte de US$ 37,290 (R$ 194.800) e, na versão básica, entrega 330 cv e 55,3 kgfm, com consumo de 7,2 km/l na cidade, 10,6 km/l na estrada e 8,5 km/l combinado.

No caso da Toyota Tundra, a taxa subiu 31% até US$ 2,095 (R$ 10.900), ficando pelo menos US$ 500 abaixo de rivais de Detroit em algumas comparações.

A Silverado ainda varia conforme a fábrica, com cobrança de US$ 2,595 (R$ 13.600) saindo do México e US$ 2,795 saindo dos Estados Unidos e do Canadá.

A Toyota Tacoma cobra US$ 1,595 (R$ 8.300) para entrega, enquanto a Ford Ranger vai a US$ 1,895 (R$ 9.900) e a Jeep Gladiator chega a US$ 1,995 (R$ 10.400).

Na mesma linha, a Chevrolet Colorado encosta em US$ 2,095, uma alta de 91% desde 2019, e isso ajuda a explicar por que o “frete” virou assunto de bar.

Um porta-voz da Ford, Said Deep, diz que as cobranças refletem custos de envio da fábrica ao concessionário e que são revisadas para manter consistência com a indústria.

Ele afirma que a Ford faz uma média para que o valor seja igual em todo o país e lembra que modelos como Lincoln Corsair e Ford Escape cobram US$ 1,495 pela entrega.

A General Motors, por sua vez, respondeu apenas que revisa e ajusta taxas de destino e frete conforme condições de mercado e custos, sem detalhar por que alguns segmentos dispararam.

Quando se olha além de Detroit, aparecem taxas menores até em modelos caros, como US$ 1,350 (R$ 7.100) em Mercedes C-Class e BMW Série 3, e US$ 1,450 (R$ 7.600) no BMW X5.

Entre os generalistas, o Honda Civic manteve a taxa em US$ 1,195 (R$ 6.200), e o cenário sugere que alívio tão cedo é improvável diante de custos e incertezas no mercado.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio.


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