Todas as unidades dessa picape da Nissan tem seus amortecedores destruídos assim que chegam nas concessionárias

nissan navara 1
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Num mercado em que cada detalhe de dirigibilidade pesa na compra, a Nissan decidiu que a Navara só sairia “do jeito certo”, mesmo pagando um preço esquisito por isso.

A última Nissan Navara chegou à Austrália com uma calibração de suspensão feita para as estradas locais, fruto do trabalho com a Premcar, empresa de engenharia de Melbourne.

O ponto controverso é o método: antes de qualquer cliente pegar as chaves, todo exemplar tem os amortecedores instalados na fábrica removidos e descartados.

Segundo um porta-voz da Nissan em declaração ao CarExpert, existe um procedimento padrão em que se recomenda drenar o óleo, descartá-lo como óleo de motor e mandar os amortecedores para reciclagem de metal.

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A montadora reconhece que não parece o caminho mais barato, mas afirma que o processo se alinha às “políticas de sustentabilidade” da Nissan, com foco em reciclagem de materiais.

A lógica por trás da mudança é dar à Navara uma vantagem mais clara sobre a prima técnica Mitsubishi Triton, com a qual ela divide parentesco e parte da engenharia.

A geração D27 da Navara é produzida junto da Triton na fábrica de Laem Chabang, da Mitsubishi, na Tailândia, e é aí que a história fica ainda mais peculiar.

O acerto de suspensão desenvolvido para a Austrália não é aplicado nessa linha de produção, então as picapes saem de lá com amortecedores padrão fornecidos pela Mitsubishi.

Depois do transporte e da chegada às concessionárias, técnicos removem os amortecedores originais e instalam os componentes desenvolvidos localmente, antes da entrega ao comprador.

É comum carros novos rodarem alguns quilômetros antes de chegar ao dono, por testes de fábrica, caminhões, navios e movimentação em pátios e lojas.

Isso também explica por que amortecedores removidos não podem simplesmente voltar ao estoque e ser revendidos como “zero km”, já que foram usados no trajeto.

Ainda assim, é fácil imaginar o interesse de donos de Mitsubishi Triton na Austrália por peças de fábrica “levemente usadas” como opção mais barata quando chega a hora da reposição.

No pacote de calibração, a Premcar criou um ajuste específico para as versões SL e ST, um acerto mais voltado ao asfalto para a ST-X e um ajuste off-road para a topo de linha Pro-4X.

Também foi confirmado que Nissan e Premcar trabalham numa Pro-4X Warrior mais robusta, com mudanças de suspensão pensadas para encarar terrenos ainda mais difíceis.

A Nissan confirmou que o lançamento da Navara foi adiado em um ano inteiro para acomodar o programa abrangente de engenharia local.

Mesmo com o atraso, executivos dizem que o tempo extra era inegociável para atender o público australiano, num segmento em que a Ford Ranger desenvolvida localmente continua sendo a referência.

No fim, a melhora dinâmica deve agradar e dar mais personalidade frente à irmã da Mitsubishi, mas a imagem de milhares de peças quase novas sendo destruídas antes de verem estrada ainda incomoda.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio.


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