Toyota despeja R$ 5 bilhões para aumentar a produção, mas promete zero empregos novos — e isso vai irritar muita gente em Washington

toyota rav4 phev japão 4
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Enquanto o debate público grita “mais produção local”, a conta real do setor está sendo fechada com foco em capacidade, mix de modelos e pressão tarifária.

A Toyota Motor Corp. anunciou que vai investir US$ 1 bilhão (R$ 5,3 bilhões) para ampliar a produção de veículos em fábricas de dois estados americanos.

O plano é a mais nova parcela de um compromisso maior de investimento de até US$ 10 bilhões [R$ 52,6 bilhões] nos EUA ao longo dos próximos cinco anos.

A montadora disse que vai colocar US$ 800 milhões (R$ 4,2 bilhões) na unidade de Georgetown, no Kentucky, para aumentar a produção do RAV4 e do sedã Camry.

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Além de ampliar esses dois líderes de vendas, a fábrica do Kentucky também será preparada para produzir um novo EVs, ampliando a presença de eletrificação local.

No outro extremo do anúncio, a Toyota reservou mais US$ 200 milhões [R$ 1,1 bilhão] para Princeton, em Indiana, elevando a capacidade do Grand Highlander.

O comunicado veio poucos dias depois de a primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi visitar a Casa Branca, em sequência à viagem de Donald Trump a Tóquio em outubro.

Foi nessa viagem que a promessa maior de investimento ganhou holofote, enquanto Trump seguia pressionando o Japão e suas montadoras a transferirem produção para solo americano.

O presidente também impôs tarifas punitivas sobre importações de veículos e autopeças, elevando o incentivo para que fabricantes reforcem linhas nos EUA.

“Nosso investimento nos EUA é de longo prazo, ligado à filosofia de construir onde vendemos e comprar onde construímos”, disse Mark Templin, diretor de operações da Toyota na América do Norte.

A Toyota não informou quantos veículos a mais pretende produzir e afirmou, por meio de porta-voz, que o pacote não criará novos empregos.

A capacidade adicional mira a demanda por híbridos, num momento em que os preços da gasolina sobem em meio à guerra no Irã.

O Camry e o RAV4 são oferecidos apenas como híbridos, e mais da metade das vendas do Grand Highlander também vem de versões híbridas.

Parte do dinheiro do Kentucky já foi usada para reconfigurar uma linha que montava o Lexus ES, cuja produção foi enviada de volta ao Japão no ano passado.

Hoje, a Toyota monta três modelos Lexus de alto padrão na América do Norte, incluindo o TX em Indiana e os NX e RX produzidos no Canadá.

Em novembro, a empresa já tinha anunciado US$ 912 milhões (R$ 4,8 bilhões) para elevar a produção de componentes e veículos híbridos no Kentucky e em fábricas no Mississippi, Missouri, Tennessee e West Virginia.

A nova decisão também ecoa a cobrança feita por Trump em abril, quando ele citou a Toyota nominalmente por importar veículos demais do Japão para os EUA.

A montadora lembrou ainda um compromisso semelhante de 2017 e afirmou que investiu os US$ 13 bilhões (R$ 68,3 bilhões) prometidos na época, somando hoje mais de US$ 50 bilhões (R$ 262,8 bilhões) aplicados nos EUA em quase sete décadas.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio.


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